<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266</id><updated>2011-09-21T09:23:28.264-07:00</updated><title type='text'>Maria Linda Maria</title><subtitle type='html'>Coração de seda e alma de bailarina</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6962607880517508331</id><published>2011-06-30T15:17:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T15:04:50.989-07:00</updated><title type='text'>Os lados de Yulia</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;(Árvore... árvore... árvore). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Era tão bonito o jeito como ela repetia esta palavra sem a menor pretensão de parecer coerente consigo mesma ou com os outros. Era mais bonito ainda o modo como ela tropeçava a língua no céu da boca ao pronunciar, com pouca intimidade, a letra "r". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Era descendente de russos. Interpretava algumas letras com demasiada intensidade, até certa rispidez. Yulia&amp;nbsp;&amp;nbsp;herdara os cabelos alaranjados da avó materna, bochechas acentuadas, um nariz reto, longo e sem qualquer desvio - o que lhe rendia um ar de seriedade diante das sardas ostentadas em boa parte do rosto pálido. Tinha pernas femininas, torneadas pela dança. Era uma mulher&amp;nbsp;longilínea, com o quadril estreito, discreto, assim como todas as mulheres da família. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O corpo de Yulia não era másculo, mas um tipo incomum entre as brasileiras. Era uma mulher pouco temperamental. Poucos sorrisos, poucos gestos, uma mulher fria - diriam alguns&amp;nbsp;homens que tentaram se aproximar de Yulia. Mas,&amp;nbsp;quase nenhum deles&amp;nbsp;sabiam que a poesia era um costume e o refúgio de &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Yulia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Ainda moça, escondia-se no fundo da casa para fumar e escrever. Eram tantos os rascunhos secretos que poderiam lhe render alguns livros, quem sabe duas, três edições.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os escritos transpareciam, quase sempre, uma alegria profunda que Yulia sentia pela vida confrontando um eterno e profundo&amp;nbsp;sentimento de tristeza. Injustiça! Yulia era sim uma mulher sensível. A tristeza profunda que carregava nos olhos caídos, nos ombros curvos, nas mãos trêmulas, revelava o lado sensível daquela mulher. Pouco sabia sobre ser amável, mas muito entendia de sentir o peso da alma dentro de si. Pois, nas cartas que escrevia para si mesma, deixava transparecer a insatisfação com aquela condição que ela própria se impusera. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;solou-se do mundo para não ouvir o vento sussurrante, os rostos passageiros nas ruas, as palavras esquecidas tão facilmente. Preferia guardar as palavras na memória, registrá-las em uma espécie de relicário, para que a fraqueza dela não fosse vergonhosamente exposta em vida. Seria muito cruel. Muito cruel - assim pensava Yulia - até&amp;nbsp;que sentiu a&amp;nbsp;tristeza atingir o coração. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Foi em uma noite fria de agosto, Yulia tragava um cigarro lentamente soprando a fumaça contra a cortina que assanhava-se ao ser tocada pelo vento frio do jardim. Escrevia lentamente, poucas palavras - era necessário precisão para que saíssem verdadeiras. Foi quando sentiu levemente uma dor lhe apertar o peito. Aos poucos, percebeu que, na verdade, a dor que antes parecia lhe rasgar a pele, invadira a alma. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Uma dor profunda, que&amp;nbsp;penetrava lentamente o coração de Yulia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Deixou que o cigarro escorregasse, queimando-lhe as pontas dos dedos. Tentou gritar, a dor calara a voz. Encostou-se nas paredes e sujou-as de sangue, mesmo com as mãos limpas. Descalça, correu até o jardim escuro, com pouca visão, enterrou as mãos na terra úmida e chorou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De manhã, sentiu o sol nascendo em seu rosto, pouco enxergava, estava claro.&amp;nbsp;Olhou em volta, muita gente conhecida. Parentes, amigos distantes, vizinhos, curiosos. Talvez, centenas de pessoas. Era uma festa? - pensou Yulia. Não, longe de ser. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ainda sentada na grama úmida, Yulia reconheceu uma tia próxima. A pele clara da senhora avermelhou. Yulia só a via deste tom quando chorava, algo raro.&amp;nbsp;O grupo de pessoas não notou a presença de Yulia. Descalça e com a roupa suja de&amp;nbsp;lama, a mulher&amp;nbsp;caminhou entre parentes, amigos distantes, vizinhos e curiosos. Demorou até conseguir defrontar-se com o caixão no centro da sala de estar. Esticou-se um pouco mais, três ou quatro passos para&amp;nbsp;chegar até&amp;nbsp;o&amp;nbsp;caixão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Olhou bem perto mas não conseguiu identificar quem estirava ali, moribundo, tornando-se assunto do lamento alheio. Um véu branco e bordado de renda cobria o rosto do falecido. Yulia puxou o véu com cuidado... paralisou o olhar. Reconheceu o falecido. Como não reconhecer? Se era ela própria - Yulia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ela&amp;nbsp;parou diante da imagem de si mesma. Na multidão, procurou a tia próxima que havia reconhecido ao acordar. Depois de encontrá-la, chacoalhou-a com toda força. Yulia gritava e perguntava a tia próxima: - Não me reconhece? Não está me vendo, tia? Estou viva. Eu! Aqui, bem na sua frente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A tia próxima de Yulia olhou friamente nos olhos da sobrinha, aproximou-se do rosto dela, beijou-lhe a face com ternura e disse: - Eu sinto muito. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Seguiu adiante,&amp;nbsp;caminhando lentamente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Yulia&amp;nbsp;andou sem destino, descalça, ainda suja de lama, andou, andou, andou até sentir-se exausta. Entre as árvores que cercavam a estrada da casa dela, Yulia adormeceu.&amp;nbsp; Estava intrigada com a ideia de estar morta, no momento da vida em que mais se sentia viva!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na outra manhã, Yulia acordou com uma voz doce e distante. Abriu os olhos com esforço e reconheceu o som daquela voz - Mãe? Levantou-se ainda cansada. Olhou os pés que agora estavam limpos. Vestia uma calça jeans e uma blusa de malha colorida.&amp;nbsp;Correu até o banheiro.&amp;nbsp;Quase não se reconheceu&amp;nbsp;diante do espelho.&amp;nbsp;Era uma mulher nova, uma jovem, adolescente.&amp;nbsp;Sem exitar, pela primeira vez, sorriu porque tinha vontade. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6962607880517508331?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6962607880517508331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6962607880517508331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6962607880517508331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6962607880517508331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2011/06/os-lados-de-yulia.html' title='Os lados de Yulia'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-1627444827429496393</id><published>2010-09-25T14:50:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T15:13:15.264-07:00</updated><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Diferente&amp;nbsp;da maioria das vezes, naquela noite, Luisa preferiu dormir com as janelas abertas, queria sentir o vento lhe afagar as pernas. O sopro da brisa que assanhava as cortinas,&amp;nbsp;também folheava as cópias dos poemas que deixara pela metade e lhe acariciava as pernas, como as mãos de outra mulher. Luisa dormia um sono leve quando ouviu a porta do apartamento em que morava se abrir lentamente. Ainda de olhos fechados, esticou os braços para tentar alcançar o abajur. Não conseguiu. No escuro, ao levantar-se, de olhos fechados, sentiu a cabeça pesar. Sentada na beira da cama, Luisa&amp;nbsp;balançou os pés em busca das sandálias, derrubou a garrafa de vinho vazia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;Lentamente, caminhou até o andar de baixo e, ainda no escuro, diante do espelho, abafou o grito. Por alguns segundos,&amp;nbsp;estranhou a própria imagem. Não eram apenas os cabelos tingidos de vermelho,&amp;nbsp;era como se estivesse em frente a outra pessoa.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao acender as luzes, procurou, mas não viu ninguém.&amp;nbsp;Enconstou os ouvidos e as mãos na porta de entrada do apartamento, nenhum suspiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Angustiada com a idéia de ter um estranho dentro de casa, abriu a porta, vasculhou o hall do elevador com os olhos, novamente, nenhum sinal. Luisa buscou um copo com água na cozinha e voltou para o quarto escuro e frio. Antes,&amp;nbsp; mais uma vez, diante do espelho gigante da sala de estar, parou e observou as manchas de vinho pelo corpo coberto apenas por uma blusa branca que vira o avô&amp;nbsp;usar algumas vezes nos almoços de domingo.&amp;nbsp;Estranhou, pois, não costumava guardar pertences de pessoas mortas.&amp;nbsp;Luisa levantou a roupa até a cintura e assustou-se com as marcas vermelhas nas pernas. Era como se alguém houvesse lhe apertado com força. Sentou-se na borda do sofá, ainda com o copo nas mãos, e tentou se lembrar do que havia acontecido mais cedo. A cabeça doía muito, decidiu descansá-la no travesseiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;No quarto, Luisa deitou na cama e caiu&amp;nbsp;em um&amp;nbsp;sono leve. Pouco tempo depois, ouviu o ranger da porta, novamente. Levantou-se e correu para sala, a procura do telefone. A porta estava entreaberta. Do lado de fora, um homem ainda jovem, com pouco mais de 30 anos, sério, alto e magro. Luisa aproximou-se, pela fresta, procurou os olhos do homem no escuro.&amp;nbsp;Era difícil perceber os detalhes do rosto dele.&amp;nbsp;Mesmo sem reconhecê-lo, Luisa não sentiu medo. Abriu um pouco mais a porta e descobriu que o estranho tinha olhos castanhos, quase pretos. Luisa sorriu. O homem também sorriu para Luisa. Abraçaram-se como se fossem íntimos. Repelida por um momento de lucidez, Luisa afastou-se. Pensou em chamar alguém da família. Desistiu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os olhos castanhos do homem aumentaram a dor de cabeça que sentia. Era insuportavel. Voltou até a&amp;nbsp;porta, observou que ele havia sumido. Desesperou-se.&amp;nbsp;Desceu as&amp;nbsp;escadas correndo. No térreo do prédio, nua, coberta apenas por uma camisa velha do avô, Luisa chorou. Não sabia onde procurar o homem estranho. Sabia que era&amp;nbsp;estranho, mas, sentia como se perdesse alguém próximo. Voltou ao quarto e enconstou a cabeça sofrida &amp;nbsp;no travesseiro. Caiu num sono leve. Sentiu as pernas serem acariciadas. Pensou&amp;nbsp;na &amp;nbsp;brisa que fugia para dentro do quarto. Enganou-se. Virou-se para o outro lado da cama. Sorriu, reconheceu os olhos castanhos, quase pretos, do homem desconhecido. Beijaram-se com ardor, os dedos pesados do homem&amp;nbsp;escalavam as longas&amp;nbsp;pernas de Luisa. Subiram até a cabeça da menina e lhe agarraram os cabelos cacheados com força. Luisa pensou em gritar, mas, sorriu... sorriu e chorou. Ela e o homem desconhecido abraçavam-se como íntimos até adormecerem em um sono profundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Pela manhã, Luisa&amp;nbsp;acordou com a cama forrada pelo sol quente que também&amp;nbsp;aquecia os pés dela. Ainda de olhos fechados, virou-se. Ao lado, metada da cama desforrada. Correu para a sala, olhou-se no espelho. Perplexa com o que via, parou. &amp;nbsp;Diferente da noite anterior, os cabelos estavam pretos retintos, vestia uma camisola de seda longa e florida.&amp;nbsp;Na cintura, nenhuma marca, nenhuma mancha de vinho. Soltou um grito agudo de dor, um grito profundo de quem recebe uma notícia trágica, a morte de um parente próximo ou o diagnóstico de uma doença sem cura. Empurrou o espelho que quebrou-se em vários pedaços no chão. Correu para a porta principal do apartamento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na esperança de encontrar o homem desconhecido, gritou por diferentes nomes. Lembrou dos olhos castanhos, quase pretos, sentiu a cabeça doer. Acalmou-se, buscou uma garrafa de vinho entre as bebidas que herdara dos pais, bebeu com voracidade. A bebida escorreu pelo corpo de Luisa, entre os seios presos a camisola de seda. No armário do banheiro, buscou os remédios que usava para dormir, engoliu todos de uma vez, escancarou as janelas, deitou-se na cama a espera do sono eterno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-1627444827429496393?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/1627444827429496393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=1627444827429496393' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1627444827429496393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1627444827429496393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2010/09/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-816866174976300801</id><published>2010-01-31T08:24:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T09:41:06.255-08:00</updated><title type='text'>Os óculos</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Levantou-se da cama ainda sem abrir os olhos. Esticou o braço direito ao alcance dos óculos que descansavam em cima da pilha de livros que lhe serviam de mesa. Uma das lentes estava rachada. Na última madrugada, Anita pisoteou os óculos propositalmente depois que ainda bêbado do vinho do jantar, Pedro lhe confessou que dormira com a melhor amiga dela, Raquel, no Natal do último ano. Embora houvesse se deitado na mesma cama que Raquel, ainda que houvesse apenas deslizado os dedos por cima dos seios da moça ainda cobertos pela blusa e presos ao sutiã, sentira-se culpado. Foi um beijo, apenas um beijo que nem ao menos se lembrava do gosto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Raquel fora o amor de Pedro durante a adolescência. Estudaram juntos até a quarta-série. Depois quando a mãe da menina mudou-se de São Paulo para trabalhar como funcionária pública&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;em Brasília, nunca mais voltaram a se ver. Raquel raramente aparecia na cidade natal em época de férias. Neste dia, depois que Anita havia deixado a festa, ainda chateada por ter deixado cair vinho tinto no vestido branco, Raquel aproximou-se de Pedro. Aos sussurros bem próximos a boca do menino, Raquel confessou que estava a ponto de cometer uma loucura. Ele, já embevecido pela beleza de Raquel, beijou-lhe o pescoço e depois a boca. Desceu a mão que alisava os cabelos pelos seios da menina. Depois de permitir que Pedro lhe acariciasse os seios, ainda deitada no chão da cozinha, Raquel aproximou seu corpo ao do rapaz, forçando um choro de arrependimento que muito pouco aparentava verdadeiro. Pedro sorriu e levantou-se. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Passou o verão inteiro ouvindo ironias de Anita que já percebia o interesse do namorado pela amiga. Porém, nunca havia lhe passado pela cabeça confessar o que aconteceu naquela noite de Natal por temer que Anita fizesse uma loucura. Outra vez, Anita queimou os livros que Pedro mais gostava de uma só vez. Cem anos de solidão, Álbum de casamento, nem os poemas de Neruda lhe sobraram para contar história.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;No entanto, nada disso o fazia a amar menos, admira-la menos. Ao contrário, a cada pasmo de loucura, Pedro sentia-se orgulhoso, gostava de desafiá-la. No íntimo, era um homem frágil e por isso encontrava em Anita bravura infinita, sabia que poderia apoiar-se nela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Depois que lhe contou a verdade sobre Raquel, Anita lhe estapeou a cara. Os óculos escorregaram do rosto e foram esmagados pelo salto da sandália de Anita. Sorria como se prendesse a vingança entre os lábios. No outro dia, depois que preparava o café com as lentes dos óculos quebradas, Anita tocou a campanhia. Ajoelhada, com as mãos agarradas aos joelhos de Pedro, Anita lhe implorava perdão. Chorava e lhe dizia com voz infantilizada que mudaria, seria uma mulher comportada. Pedro a olhava com desdém, tirou os óculos do rosto para não olhar aquela cena que lhe causava náuseas. Puxou Anita pelos braços e a colocou firme, em pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Não dormi com Raquel. Mas gostaria. Gostaria de ter transado com ela como um louco naquela noite - disse Pedro ao chacoalhar Anita pelos braços.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Anita que chorava copiosamente como uma criança desnorteada lhe encarou nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não me importa. Eu perdôo.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Olha, quer saber? eu dormi com a Estela, aquela sua prima de Ribeirão. E sabe a Marcinha? Aquela que conheci na faculdade e disse que era filha de amigos do meu pai? Também trepamos. A Dora, sua prima, a Mariah, da aula de francês...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Anita parecia surda, lhe encarava no rosto e consentia, acenava com a cabeça como que lhe perdoasse os erros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Não quero ouvir, não me importa - dizia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Desesperado com a submissão de Anita inventou as piores mentiras na tentativa de ver ressurgir a mulher que amava, a verdadeira Anita, forte e corajosa. Anita que lhe revirava as roupas do armário em busca de uma prova legítima contra traição. Anita que lhe virava a mesa de jantar, que desligava o celular para lhe deixar irritado, que soltava palavrões em frente aos avós dele. Mas também, Anita que lhe preparava o café de amanhã com pouco açúcar, que lhe presenteava com os melhores beijos, Anita que lhe dizia: está tudo bem, você vai conseguir. Pedro colocou os óculos e viu que Anita chorava. Era a primeira vez que via a mulher chorar, talvez tamanho fosse o espanto. Ajoelhou-se junto a mulher, no chão da sala de estar de seu apartamento. Anita logo dormiu envolvida nos braços de Pedro. Ele, cansado, abriu um livro de Roberto Freire. Entre as folhas, um papel e o número de Raquel. Na outra manhã, decidiu procurá-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-816866174976300801?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/816866174976300801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=816866174976300801' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/816866174976300801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/816866174976300801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2010/01/procura-se-o-que-nao-se-pode-encontrar.html' title='Os óculos'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-527946929232441975</id><published>2009-08-27T19:19:00.000-07:00</published><updated>2009-08-27T19:21:34.220-07:00</updated><title type='text'>Ao amor apenas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Era sábado. No fundo da casa, as crianças corriam e atravessavam o jardim para se refrescarem com os pingos de água que saiam turvos do jato mecânico para molhar as flores. Camila tinha as calças dobradas até um pouco abaixo dos joelhos. Os pés balançavam dentro da piscina e arremessavam com leveza alguns pingos para molhar o busto que já suava em bicas. Era aniversário da prima, Cristina. Do outro lado do jardim, uma mesa com três rapazes que tentavam impressionar Cristina com histórias fantasiosas sobre amor, intriga e sexo. Cristina sorria sem graça e desviava o olhar para o canto. Observava Pedro. Era introspectivo e, a primeira vista, inseguro. Mas tinha que haver algo de especial com o rapaz, algo invisível aos olhos, um perfume, talvez, o jeito como tragava o cigarro quase morto entre os dedos. Cristina o olhava com ternura, sorria invariavelmente para os outros meninos que tentavam impressionar, mas estava surda. Pedro nada lhe dizia. Nem se quer a olhava, tinha os olhos presos aos pés de Camila. Cristina não percebera. Não ouvia o barulho que faziam os meninos ao seu lado, as crianças que gritavam, as tias que gargalhavam estridentes. Cristina não ouvia nada alem da respiração de Pedro. Lentamente, sugava a fumaça do cigarro que prendia quase morto entre os dedos. Soltava com rapidez. Camila percebeu que Pedro olhava seus pés. Levantou-se da água, desabotoou a calça, tirou a blusa e pulou na piscina de biquíni. Foi até a outra borda, onde estava Cristina. Chegou perto, de mansinho, perguntou:&lt;br /&gt;- O que está olhando, Cristina?&lt;br /&gt;Cristina tratou de desviar o olhar. Apontou para a porta da casa e disse:&lt;br /&gt;- Vamos, Camila. Ponha uma roupa e venha cantar os parabéns.&lt;br /&gt;- Mas o que há de errado com o meu biquíni? Além do que, está calor. Quero ficar desse jeito.&lt;br /&gt;- Não me aborreça, Camila. Hoje é meu aniversario.&lt;br /&gt;- Não adiante, Cristina. Não vou trocar de roupa.&lt;br /&gt;Enquanto as meninas discutiam se Camila deveria vestir-se, Pedro aproximou-se e disse:&lt;br /&gt;- Deixe Camila ficar como quiser, Cristina, deixe.&lt;br /&gt;A mãe de Cristina, já bêbada de wisky, dançava sozinha a música de Maria Betania que propunha “Eu quero ser possuída por você. Pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue. Me ama”!&lt;br /&gt;Camila sacudiu a canga que lhe envolvia ao redor da cintura. Molhava-se apenas do suor que lhe escorria do rosto. Cristina, já tomada de raiva sentia-se inferior. Era mais bela que Camila, mas diante da ousadia de Camila que já rodeava no corpo as mãos volumosas de Pedro, sentia-se feia, inferior. Camila aproximou o rosto de Pedro, tocou-lhe a nuca com os lábios até que a respiração do rapaz fosse ouvida ofegante.&lt;br /&gt;Era como se as crianças no jardim fossem invisíveis. O mundo era Maria Bethania a cantar: “Do teu corpo revelando o meu corpo. Como se o mundo fosse pela primeira vez. Você meu ponto de referência nesta cidade”. Cristina deixou que uma veia lhe escapulisse na testa. Era certo que estava nervosa. Ao sentir os dedos de Pedro pressionarem a curva da cintura, Camila gargalhou. Afastou-se do rapaz e encarou os olhos marejados da irmã mais velha.&lt;br /&gt;- Não sejamos patéticos, vamos. – disse Camila a caminho da porta de casa.&lt;br /&gt;Cristina deixou que uma lágrima lhe escorresse no rosto e secasse com o vento que anunciava a chegada de uma tempestade inesperada. Os poucos convidados que ainda restavam na festa, retiraram-se. Era apenas Cristina e Pedro. Camila entrou na casa. A música parou. Chovia forte neste momento. Cristina permaneceu ali mesmo onde estava quando via Pedro escorregar as mãos no corpo da irmã. A chuva lhe desmanchou o penteado e colou o largo vestido no corpo exuberante. Aquela cena cegou os olhos do amado. Pedro a olhava com a boca semi-aberta de desejo. Cristina gargalhou alto, assim como fazia Camila quando queria impressionar. Pedro aproximou-se e lhe pressionou os lábios com a boca entreaberta. Desabotoou o vestido e se amaram ali, no jardim purificado pela inocência das crianças que antes o habitavam.  Camila assistia a cena pela fresta da janela do quarto. Chorava de raiva pois não amava Pedro, amava Cristina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-527946929232441975?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/527946929232441975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=527946929232441975' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/527946929232441975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/527946929232441975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/08/ao-amor-apenas.html' title='Ao amor apenas'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-3476205975522852921</id><published>2009-05-20T12:47:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T13:13:39.225-07:00</updated><title type='text'>Olhos e mãos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A caminho do ponto de ônibus mais próximo, Ana apertava os passos. As pernas, de tão longas, quase enrroscavam-se uma na outra, fazendo um nó. O vento embaraçava o cabelo da menina com brutalidade. De modo que as mechas alvoroçadas lhe tapavam a visão. O trovão e as nuvens escuras anunciavam a chegada de uma tempestade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ana corria. A sacola de papel que guardava as laranjas rasgou. Ainda com os braços ocupados com outra bolsa que carregava os molhos de tomate dentro, a menina agachou-se e tateou o chão para tentar conter as laranjas que já rolavam entre os pés sujos do mendigo. Ana parou em frente ao homem baixo e sem dentes que completassem um sorriso de outdoor. Apanhou as laranjas e entregou ao mendigo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As gotas de chuva agora já pingavam lentamente. Ana caminhou até a parada e encaixou-se entre aqueles que também esperavam com agonia a chegada do ônibus que lhes levariam ao conforto do lar. Do lado direito, o dono da barraca de ameixas tentava proteger as frutas da água cobrindo-as com o remendo de sacos plásticos. Ana aproveitou uma fresta no caixote para esquentar as mãos entre as frutas. No fundo da bandeija, sentiu a mais madura das ameixas. Achou que não deveria, de início, mas não resistiu em apertá-la até que o suco vermelho lhe escorresse entre os dedos. Deixou que um sorriso lhe escapulisse dos lábios. O corpo caiu levemente para trás, como se adormecesse. Sentiu a mão esquerda ser acariciada. Abriu os olhos. Era tímida e, por isso, ignorou o gesto de carinho. Ainda assim, não recolheu a mão, deixou-a solta, quase que oferecendo-a aos afagos do desconhecido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O carinho na mão a fez lembrar um antigo caso de amor. Ligeiro, o homem que para Ana chamava-se Henrique mas que negava-lhe qualquer prova de identidade e referencia, lhe agradou apenas pelo modo como lhe conduzia as mãos. Sempre viu nobreza naquele gesto. O homem a conhecia apenas de tardes chuvosas como aquela, em um quarto abandonado no centro da cidade, onde as buzinas dos carros entoavam a sinfonia dos amores proibidos do meio-dia. Os dedos do amado desconhecido foram vistos muito antes dos olhos. Ana o descobriu quando jantava sozinha em um restaurante perto de casa. Sozinho também, o homem estava de costas. Bebericava um vinho de uma garrafa sem rótulo e escrevia pedaços de poesia no guardanapo. Ana esticava os olhos para alcançar o que diziam as letras em garrancho. Desistiu. No entanto, os olhos continuavam vidrados nos gestos das mãos do homem. No modo como carregava o copo até a boca, na maneira como posicionava a caneta em cima do guardanapo, como fazia sinais ao garçom sonolento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Quando estavam na cama, depois do amor, costumavam brincar com as sombras dos dedos. Ana sorria como uma criança, gargalhava alto. O homem deitado, apenas olhava. Era raro vê-lo sorrindo. Por isso, Ana sempre viu tristeza nos poetas. Pensava que eles sabiam demais da vida e, assim, não sorriam das ilusões. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outra ventania anunciou a chegada do sol. Ana entrou no ônibus. Olhou meio de lado para tentar encontrar as mãos que haviam lhe acariciado antes. Olhou nos olhos de todos que aguardavam na parada, um por um. Ninguém lhe deu atenção. Ana sentou-se na primeira cadeira da frente, o ônibus partiu com os olhos de Ana ainda abertos, revistavando a multidão.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-3476205975522852921?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/3476205975522852921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=3476205975522852921' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/3476205975522852921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/3476205975522852921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/05/olhos-e-maos.html' title='Olhos e mãos'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-1415569458025258124</id><published>2009-04-22T14:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T13:58:37.210-07:00</updated><title type='text'>O encontro dos corações livres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Eu sinto que você me ama. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não tente falar de amor, Olga.&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;respondeu Mateus ainda com a boca marcada de vinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- O que foi que disse? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Eu disse que você não deveria falar de amor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Engatinhando, Olga aproximou-se do rapaz que esparramado na poltrona, no canto da sala do apartamento de um amigo próximo, tomava o vinho da garrafa. Olga parou, ainda com o mesmo olhar que lhe rendia um vinco entre as sobrancelhas. A expressão não poderia ser levada a sério quando se tinha os olhos repuxados como os de uma gueixa. Os olhos sorriam mesmo em momentos que exigiam a seriedade de um pai de família. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Olga, a verdade é que te amo mas não tenho razões para discutir o meu sentimento com alguém que não me compreenderia. O amor não é você, não sou eu. O amor é o que está em nós, aquilo que me identifica a ti...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- É muito tempo para mim. Cansei... - disse a menina a dar com os ombros. Olga virou-lhe as costas e andou em direção ao espelho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- De mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Talvez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Você sempre cansa das pessoas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Daquelas que me dão tédio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Nesse momento, Olga parecia assumir um outro corpo. Era como se nela existissem duas mulheres. Um metade era ousada como uma dançarina de boate. A outra, séria como uma freira casta. E era desse modo que se comportava sempre que a conversa assumia um tom apelativo, de lamento. Olga detestava lamento. Era prática. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Agora você foi longe demais. Olha os lençóis daquela cama: testemunham o tédio, por acaso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olga não deu ouvidos ao rapaz. Se olhava no espelho ainda semi-nua. O corpo dela era miúdo mas nem por isso acanhado. Comportava-se como uma platéia sonolenta diante de um espetáculo longo demais. Sorriu de canto de boca e encostou-se na janela próxima ao espelho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- A gente ainda vai se ver?&lt;/span&gt; - indagou Mateus que já cambaleava de bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Acho que não - disse Olga que agora penetrava o olhar no casal do outro lado da rua. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Sentados em um banco cobertos pelos galhos da amendoeira que os protegiam dos últimos raios de sol naquela tarde de vento fresco, o casal trocava confidencias e semelhanças. Vez ou outra, a moça gargalhava e pendia o corpo para trás. O vento varria os fios do cabelo que cobriam o busto dela. Em instantes como esse, o rapaz aproveitava para aproximar-se um palmo do corpo da moça. Os olhos não negavam o tesão. A menina via-se cada vez mais perto do rapaz. Agora, conversavam ao pé do ouvido. Olga deixou um sorriso escapulir. No íntimo, gostaria de ser aquela menina que enfeitiçava os homens sem esforço. Estava cansada de conversas. Pensou que deveria se expor menos aos amantes. A sinceridade de Olga era assustadora. Por isso, agora, seria mais superficial. Para flertar com um rapaz usaria mais do cruzar de pernas do que das palavras. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Era como uma mãe que se despede do filho. Ainda maior era o lamento. Olga sentia o fim não porque amava Mateus, apenas pela triztesa do instante. Depois de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;apanhar a bolsa no chão, a menina seguiu em direção a porta. Mateus levantou-se da poltrona e tentou alcançá-la. Segurou com força o braço fino da garota que logo desprendeu-se das mãos do rapaz. Olga saiu e deixou a porta entre-aberta. Na fresta, via-se Mateus com olhos de esperança. Saiu do apartamento a caminho da casa de Penélope. Andou três quadras. Ainda nas escadas, encontrou a amiga apressada. Esbarraram-se e já morreram de rir. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Aonde você vai? - perguntou Olga à Penélope.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Por aí. Vamos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Estou com cólicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Deve ser o Mateus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- É! E adivinha? Ele me ama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Hum... - Penélope revirou os olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- E você? Ama?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não ama porque ele te ama?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Talvez. Eu ame os momentos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Também odeio rotinas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Ele me cansa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Parece que nunca leu Roberto Freire - Sorriu Penélope.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Nem nunca ouviu Gilberto Gil&lt;/span&gt;. - Completou Olga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olga e Penélope se olharam e gargalharam, novamente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto desciam a rua em busca do café mais próximo relembravam a letra de &lt;em&gt;O seu amor&lt;/em&gt;, do cantor baiano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;"O seu amor &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Livre para amar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O seu amor &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ir aonde quiser&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O seu amor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o brincar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o correr&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o cansar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o dormir em paz &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O seu amor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ame-o e deixe-o &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;ser o que ele é&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Ser o que ele é"!&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-1415569458025258124?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/1415569458025258124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=1415569458025258124' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1415569458025258124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1415569458025258124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/04/confissoes-banais.html' title='O encontro dos corações livres'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-819460140109181503</id><published>2009-04-14T13:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-17T13:35:17.872-07:00</updated><title type='text'>O menino anjo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Naquela madrugada Penélope não pregou os olhos. Logo cedo, o celular entoava a canção que dizia "&lt;em&gt;When you give half of you, I want all of you&lt;/em&gt;". Tinha uma melodia suave. No mesmo instante, Penélope sentiu o mesmo cheiro doce do incenso que perfumava a casa do antigo amor. O ventou que corria para dentro do quarto de Penélope alisava os cabelos com alvoroço. Uma agonia que lembrava os dedos do velho amor embaraçando com brutalidade os finos fios do cabelo da menina. Penélope sorriu e revirou-se na cama. Ela sabia que aquela era uma manhã de terça-feira e o fim de semana estava longe. Mesmo assim, sorriu e não revirou os olhos. Estava cansada da última noite. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;O telefone tocou na sala. Penélope resistiu e ignorou. Alguém do outro lado da linha insistia. Por um momento acreditou que fosse ele, o amor antigo que lhe pediria um reencontro apressado. Penélope resistiria. Era orgulhosa demais para se render ao pedido que não viesse seguido de suplícios, lágrimas, arrependimento. Não iria. Ficaria dormindo. Não atenderia o telefone naquele dia, pensou. Alguém do outro lado da linha talvez apenas quisesse uma palavra de conforto. Penélope iria até o telefone se soubesse que era Luana, para chorar as dores. Repensou e entendeu que estava em pedaços e, portanto, não poderia varrer os cacos de outro coração partido. Cobriu-se com o cobertor como que para esconder-se daquele do outro lado da linha. O telefone parou. Penélope sentiu-se aliviada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Agora sem conseguir dormir, Penélope levantou da cama. Decidiu que não iria trabalhar. As mãos já suavam. Não sabia mentir, nem contrariar regras. Era rígida demais. "É por causa de pessoas como você que faço análise", disse sua tia certa noite de muitos goles de vinho. Penélope não ligava. Lavou o rosto, escovou os dentes e os cabelos, perfumou-se. Entrou no carro. Decidiu que dirigiria sem destino. Era o que sua mãe lhe propunha em dias de domingo quando a pista que beirava a orla da praia parecia deserta. Mas era uma terça-feira, dez da manhã. Os carros estavam enfileirados. Penélope ignorou as buzinas e seguiu à 60km. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;No sinal, viu de longe um menino que sorria quando a mãe lhe empurrava na cadeira de rodas para o outro lado da rua. Ela era jovem. Ele gargalhava. Penélope prestava atenção na cena. O menino lhe encarou nos olhos, agora sério, parecia triste. Ela desviou o olhar. Parou o carro na esquina seguinte e desceu. Sentou no meio fio, tinha deixado a porta do carro aberta. Não ligou. Lembrou do irmão mais novo. Era também um menino alegre numa cadeira de rodas. Desabou em lágrimas ainda com falta de ar. Lembrou do que o médico lhe disse da última vez "É um milagre esse menino ainda estar vivo". Enxugou as lágrimas e pensou que o milagre era o próprio menino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-819460140109181503?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/819460140109181503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=819460140109181503' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/819460140109181503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/819460140109181503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/04/o-menino-anjo.html' title='O menino anjo'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6961782449276663438</id><published>2009-04-01T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-03T11:37:09.643-07:00</updated><title type='text'>A metade de Penélope</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu já disse que vou... - respondeu Penélope ao revirar os olhos.&lt;br /&gt;Tinha presa entre os dedos uma mecha de cabelo. Escutava com paciência a voz amorosa do outro lado da linha. Sorria nervosa e forjava interesse nas palavras do pretendente.&lt;br /&gt;Bocejou. Esticou-se para olhar as horas no relógio da cozinha e lembrou que estava atrasada para a sessão de terapia.&lt;br /&gt;Dessa vez, não era desculpa para livrar-se de uma conversa desinteressante. Penélope realmente iria à análise. Várias vezes faltou as aulas de ballet e espanhol. Mas nunca deixou de ir as sessões de terapia.&lt;br /&gt;Desligou o telefone antes de qualquer convite indesejado. Aquele rapaz era apenas um passa-tempo. Disso, tinha certeza. Mesmo que fosse injusto definir assim alguém que lhe guardava algumas horas do dia. Não poderia ser o contrário, Penélope era uma sincera assumida. Não me interpretem mal. Penélope não era uma mulher amarga, embora preferisse a verdade. O menino do outro lado da linha - esse que não merece descrições - era uma distração para Penélope, que não gostava do tédio absoluto. A voz mansa do rapaz a alegrava. Passavam horas divagando sobre política e crimes de primeira página do caderno policial de algum jornal popular. Ela gostava de inventar histórias sobre a vida dos assassinos de sangue frio. Dizia que alguns eram bem casados e rezavam o terço com a sogra em missas de domingo. Outros eram amados acima da crueldade que exalavam até mesmo no cheiro do suor. O menino do outro lado da linha ouvia atentamente e , por vezes, intervia. Dizia que criminoso de capa de jornal tinha que apanhar muito. E que se fosse dele a filha que "aquele monstro" violentara, não pensaria duas vezes, deixaria o criminoso indefeso: "primeiro as orelhas, depois os olhos..."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Penélope interrompia e fingia concordar: "Eu faria pior! Por isso, prefiro nem dizer o que faria". E era verdade, Penélope era incapaz de matar uma mosca. Quando pequena, as pernas eram cobertas de feridas. Jura que nunca sufocou um mosquito na mão. Tinha pena. Assim como olhar nos olhos dos assassinos que eram expostos no programa policial lhe causavam aperto no peito. Sentia vontade de chorar. Mas segurava as lágrimas para não parecer irracional.&lt;br /&gt;Chegou atrasada na análise. A psicóloga a aguardava em pé, encostada na porta. Laura recebia Penélope com a caridade de uma mãe. Ela lhe oferecia um abraço apertado e um pedaço de chocolate. Penélope preferia os lenços umidecidos com cheiro de rosas. Era ansiosa. As mãos suavam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Vai bem? Perguntou Laura à Penélope. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Sim. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- E aqueles medos? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Agora penso em viver. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Como? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- É penso na vida. Eu olho meu pai, aquele homem e os cabelos brancos que ele colecina... .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Saiu do hospital? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Sim. Saiu do hospital. A médica lhe perguntou se preferia morrer a parar de fumar. Ele disse que ficaria com a segunda opção. Meu pai é um homem forte... quero ser igual a ele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Sua mãe também é forte? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Mais do que imaginava. Mas deveria entregar-se com boa vontade à vida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Como? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O telefone tocou. Pediu desculpas a Laura e correu às gargalhadas. Subiu as escadas do prédio antigos às pressas. Ele estava lá. A porta já estava aberta. Ele estava no corredor, com os braços estirados e lhe oferecia um abraço. Não era um abraço de mãe. Era um abraço apertado de saudade seguido de um longo suspiro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Não achei que viria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Eu também não. Respondeu Penélope que não era acostumada com a impulsão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sempre foi racional. Mas tinha escolhido a vida. Tinha escolhido ser sincera com o mundo. O homem que a aguardava na porta de casa era o escolhido. Aquele que considerava o "Karma", o amante eterno, o homem da vida dela. Sem descolarem os corpos que já suavam de ansiedade e calor, entraram no apartamento. Ajoelharam-se no chão. Ele oferecia o corpo á Penélope, que logo aceitou o peso do amado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Desabotoa... - susurrou Penélope e deitou. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6961782449276663438?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6961782449276663438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6961782449276663438' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6961782449276663438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6961782449276663438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/04/metade-de-penelope.html' title='A metade de Penélope'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-8813058799484854344</id><published>2009-03-15T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-04-03T11:41:00.304-07:00</updated><title type='text'>Os versos de Penélope</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A voz inconfundível de Maysa no rádio implora por vezes "Ne me quitte pas, ne me quitte pas, ne me quitte pas". Sempre que escuta a canção, Penélope procura acompanhá-la com a tradução para o português, o que torna a letra ainda mais intimista e originalmente triste como a melodia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Te oferecerei &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Pérolas de chuva &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Vindas de países &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Onde nunca chove;&lt;br /&gt;Escavarei a terra&lt;br /&gt;Até depois da morte,&lt;br /&gt;Para cobrir teu corpo&lt;br /&gt;Com ouro, com luzes.&lt;br /&gt;Criarei um país&lt;br /&gt;Onde o amor será rei,&lt;br /&gt;Onde o amor será lei&lt;br /&gt;E você a rainha.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Esse é o trecho favorito de Penélope. Fazia-a refletir sobre o amor e o poder de encantamento imposto pelo sentimento. Para Penélope, a verdadeira essência do amor tornava os homens simplesmente amantes. O tempo não existiria, nem haveria razão para justificar-se por erros tolos. Em ebulição, o amor a tudo se permitia. E era na música de Jacques Brel que Penélope enxergava a lucidez do amor, a capacidade de tornar os amantes inconseqüentes, teimosos como crianças. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eles - os amantes - querem o impossível. Querem se entregar ao objeto do amor e sentirem-se especiais em um mundo de semelhantes. Os amantes acreditam que não se trata de escolhas. Os homens devem estar preparados para a chegada do sentimento. A intensidade do amor é maior que as horas, os anos, as datas de aniversário do romance. O amor é sempre uma surpresa. Não é metódico. Não devemos ensaiá-lo. O amor é para ser vivido como se apresenta no primeiro momento. Não devemos questioná-lo, nem tentar moldá-lo ao nosso gosto. É como deve ser. O amor se molda nas circunstâncias do romance, não temos domínio sobre o sentimento. Inquestionável, o amor é tal como é. Vivê-lo e não confundir-se com ele. O amor é independente. Não o confunda com o objeto do amor. O amor é eterno. Deixa-nos marcas... O amor não se afasta de nós, está em nós. Vivê-lo é fundamental.&lt;br /&gt;A água do café já borbulhava na panela. Penélope acordou. Levantou-se, desligou o rádio e gargalhou dos versos que se fizeram na mente durante o sono. Apagou o fogo e desistiu do café. Era hora de dormir.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-8813058799484854344?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/8813058799484854344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=8813058799484854344' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8813058799484854344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8813058799484854344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/03/os-versos-de-penelope.html' title='Os versos de Penélope'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-2530202236949616732</id><published>2009-02-28T15:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T13:11:49.535-08:00</updated><title type='text'>A história preferida sobre um caso de amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Conheceram-se na cidade céu. Ela carregava uma única &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;bolsa de mão, em que guardava l&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ivros velhos e folhas soltas com rabiscos de um romance que g&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ostaria de ver, algum dia, na estante de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;alguma livraria famosa, sem p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;retensões de tornar-se uma &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nobel de literatura. A cidade era nada familiar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para quem vivera a maior parte da juventude olhando &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;as ondas do mar curvar-se aos pés, enquanto o vento revolto emaranhava os cabelos.&lt;br /&gt;Sentiu-se só, desesperadamente só. Como uma estrela que na &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;singularidade daquele céu excessivamente extenso perde-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;entre as outras radiantes. Num sopro do destino, enquanto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;apertava o copo de café para esquentar as pontas dos dedos, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ela deparou-se com o homem que lhe traria amor.&lt;br /&gt;De maneira explícita, aqueles olhos miúdos do rapaz a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;convidavam para aventurar-se em um romance que ainda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;não permitia definições e, finalmente, livrar-se da mesmice &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de todos os dias.&lt;br /&gt;Era como se estivesse hipnotizada pelo olhar convidativo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;daquele desconhecido. Sem perceber, deixou que o café &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;queimasse as pontas dos dedos. Estava desesperada com &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;a idéia de jamais atar-se a vida do homem.&lt;br /&gt;Pensou no fracasso daquele amor sem lugar. Entristeceu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;noite e dia. Então, permitiu-se esquecê-lo.&lt;br /&gt;A moça do sorriso meigo e de flor no cabelo sentiu um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;reboliço &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;nos sentimentos. O tempo a fazia crer que aquele não e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;era encontro d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e Deus. Mas, bastava-lhe um olhar discreto e a flor &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;desabrochava.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Queria aquele homem! Queria-o de amor e teimosia. Quando o perdeu de vista, Prometeu a si mesma, jamais envolver-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;em abraços que não fossem fortes o suficiente para segurar o coração &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;que ameaça escapulir pela boca. A promessa era em vão. Afogava-se em lágrimas, despedaçava-se por inteira de amor.&lt;br /&gt;Desesperada, forjou um encontro. No meio da rua, em frente à casa do homem, mesmo sem saber se era casado, respeitado pai de família, correu em direção a ele&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e não hesitou em pedir que ficassem a sós, despida nos braços do amado, q&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ue afagava seus cabelos com a delicadeza das mãos de um poeta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enfim, sorriu e n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ão apenas com os lábios. Estirada, enquanto Téo brincava com os cachos dos cabelos de Alice, ela&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; sentia o coração gargalhar.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-2530202236949616732?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/2530202236949616732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=2530202236949616732' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/2530202236949616732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/2530202236949616732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/02/historia-preferida-sobre-um-caso-de.html' title='A história preferida sobre um caso de amor'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-2465464760302778496</id><published>2009-01-28T07:10:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T11:54:13.549-08:00</updated><title type='text'>Cheiro de flor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Qual o seu nome, menina?&lt;br /&gt;- Sônia.&lt;br /&gt;- Sônia do que?&lt;br /&gt;- Sônia Maria.&lt;br /&gt;- Tá. E o resto, Sônia Maria?&lt;br /&gt;-Não tem.&lt;br /&gt;- Como não tem? Todo mundo tem ao menos um sobrenome.&lt;br /&gt;- Pois eu não tenho nenhum. - disse a menina com um vinco na testa.&lt;br /&gt;- Mas era só o que faltava. Você deve estar doidona. É hippie? - indagou o homem de bigodes arqueados.&lt;br /&gt;- Não sou nada.&lt;br /&gt;- Agora essa! - irritou-se o dono da farmácia. - Vai andando, vai... Antes que os clientes comecem a reclamar...&lt;br /&gt;Sônia levantou-se da calçada, onde havia passado a noite anterior, apertou as fivelas da sandália e partiu.&lt;br /&gt;- É uma hippie cheirosa. Cheira a flores. Nunca vi! - disse o balconista.&lt;br /&gt;Enquanto Sônia descia a ladeira, seus quadris balançavam como os de uma dançarina havaiana. Os bêbados da noite anterior aplaudiam a cena aos gritos e assobios. Sônia nem virava para ver a cara dos rapazes. Embora sem rumo, Sônia seguia firme ladeira a baixo. No caminho, passou em frente a uma igreja. O cheiro de Sônia embebedou os fiéis e dizem que foi preciso cancelar a missa daquele dia. O padre ainda tentou rezar o terço sagrado e até trancar os fiéis a chave, na igreja, mas a bebedeira causada pelo perfume da menina deixou a multidão ensandecida. Alguns trocaram carícias ali mesmo, sob os olhos tristes de Cristo. Ninguém jamais ouvira falar da adolescente naquela região. Era um vilarejo distante no Norte do país. Alguns juram que era filha rebelde de pai rico. Outros acreditam que não era parente de ninguém, que era só no mundo. Sônia enfim sumiu no fim da ladeira. No dia seguinte uma febre se alastrou no vilarejo. Chamavam padres para promover procissões - o que de nada adiantava. Alguns dizem que não era febre. Era ressaca da embriaguez causada pelo perfume de Sônia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-2465464760302778496?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/2465464760302778496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=2465464760302778496' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/2465464760302778496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/2465464760302778496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2009/01/cheiro-de-flor.html' title='Cheiro de flor'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-7757863491321740446</id><published>2008-12-30T10:57:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T11:02:25.549-08:00</updated><title type='text'>Felina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O vento soprava forte e levantava a areia da praia que se espalhava pelo ar como confetes de carnaval que abençoavam os pares bêbados em noites de revelia. De repente, a gargalhada histérica de Bruna rasgava o silêncio velado pelo mar calmo e a brisa quase escassa da praia. Rodrigo parecia petrificado quando Bruna inclinava-se para trás, varrendo a areia com os cabelos longos, escancarando a boca, mostrando-lhes todos os dentes. Aquela cena lhe causava calafrios. Os olhos seguiam o movimento da boca da menina. Era como se aquela atitude imperceptivelmente ousada tornasse os amigos mais próximos, quase íntimos. No fundo Rodrigo olhava a boca de Bruna e desejava o sexo da mulher. A boca que se abria sem pormenores e interrompia o silêncio que se exigia para um fim de tarde em que amantes se abraçavam em frente ao pôr-do-sol e um mar que se esforçava para não fazer barulho, na verdade, remetia não apenas ao sexo de Bruna, mas a uma intimidade intocável. Para Rodrigo, se tratava de uma intimidade bruta que precisava ser compreendida, desmistificada. O sexo para o rapaz não era o mais importante. Algumas vezes, Rodrigo havia visto a amiga nua em pêlos definida por uma beleza que se encontra na corda bamba da castidade e do selvagem. Ora Bruna aparecia tão meiga quanto sua irmã doze anos mais nova, outras vezes, Bruna abria a boca e entoava uma risada histérica que soava como a música mais tocada nos ouvidos do melhor amigo. O riso causava calafrios em Rodrigo que temia perder aquela cena de vista algum dia e, por isso, calava-se com a brisa quase escassa da praia.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-7757863491321740446?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/7757863491321740446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=7757863491321740446' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7757863491321740446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7757863491321740446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/12/felina.html' title='Felina'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6616322451881133544</id><published>2008-12-18T12:45:00.000-08:00</published><updated>2009-04-22T15:10:53.343-07:00</updated><title type='text'>A carta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1983.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Querido Paulo,&lt;br /&gt;Antes que seus lábios sintam o sabor de um sorriso encabulado, o mesmo que tímido se apresenta quando lhe beijo o pescoço e de propósito sussurro palavras que em 1970 certamente seriam censuradas pelo decreto Leila Diniz, peço que se acomode na poltrona vermelha de veludo novo próxima a janela. Antes, insisto para que leia Grandes são os desertos, de Fernando Pessoa, beba meia taça de vinho tinto, escreva alguns poemas que falem de amor. Antes de qualquer coisa, amado Paulo, imploro para que não se importe com o vazio da cômoda, sem meus vestidos enfileirados. O banheiro sem meus perfumes caros. A estante sem meus livros herdados de meu pai. Na última noite, o coração acelerou cem passos a caminho da garganta. No momento em que soluçando me aproximei da porta, te juro que o danado do coração quase me escapuliu pela boca. Não pense que fiz da última noite o descaso. Apenas chorei baixinho, de agonia e pavor.&lt;br /&gt;Sei que aquela notícia lhe pegou de supetão. Entenda que meu sofrimento é maior. Sofro por você sofrer e sofro porque sei que estou além do amor de qualquer pessoa. Essa questão não remete ao sentimento de superioridade das mulheres que sentem prazer na liberdade de escolha do homem que vão amar e que ao sentirem-se felizes demais para agüentar uma relação que tem apenas como pilar, a felicidade frágil e traiçoeira, capaz de tirar-lhe a vontade de viver no momento em que o homem amado lhe cobra fidelidade. Sofro até o coração pesar em meu peito. E é deste modo que te escrevo. Com o peso de uma pedra no lugar do coração.&lt;br /&gt;Acho que o amor poderia ser como o par de brincos que me deu no dia do meu aniversário. Lembro-me bem que, naquele fim de tarde, eu estava aborrecida com o calor da cidade. Você estava quieto. Pensei em traição. Quase abri a porta e saltei do carro que andava a 60km por hora. Ah! Querido, Paulo! Foram tantas as bobagens que pensei. Sempre fui uma ousada recalcada. Franca, sim. Muito honesta também. Mas discreta. Ainda na volta do trabalho para casa, eu não parava de falar. Imaginei que esta fosse uma forma de impedi-lo de me confessar a tal traição indesejada. Fui uma boba. Quando chegamos em casa e o cenário estava montado para uma noite de palavras sussurradas ao pé do ouvido – pouca luz, a música de Edith Piaf ao fundo, o vinho. Depois que te olhei a meia luz, sentado na mesma poltrona vermelha de veludo novo, observando as curvas imperfeitas de meu corpo serem tocadas pelo fleche dos faróis dos carros que atravessam a rua depressa e davam vida ao meu espetáculo, pensei: quero este homem para a vida inteira.&lt;br /&gt;Hoje, há apenas um dia longe da poltrona vermelha, do vinho, do fleche de luz que me cobrira em êxtase, confesso que estou tão confusa como no dia em que pensei na traição de sua parte. Eu sinceramente poderia lhe dizer que estou certa sobre o fim de nosso relacionamento. Mas não consigo ser breve com um amor que se assumiu intocável por décadas. Sinto-me fraca. As mãos tremem, as lágrimas borram a tinta no papel. Gostaria de lhe dizer que te amo, mas já não sei se é verdade. Gostaria de lhe dizer que não gosto mais de você, mas já não sei se é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs. Não esqueça de comer um pedaço da torta que deixei no forno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com amor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Alice.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6616322451881133544?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6616322451881133544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6616322451881133544' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6616322451881133544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6616322451881133544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/12/carta.html' title='A carta'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-4627189361166259965</id><published>2008-11-22T17:19:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T17:22:17.133-08:00</updated><title type='text'>O segredo dos Soares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O telefone tocou na casa de Marcos e Lúcia Soares. Casados há cinco anos e sem filhos, os Soares eram um casal como qualquer outro na grande São Paulo. Acordavam às 7h para trabalhar. Ela era secretária, ele bancário. Lúcia gostava de ir andando ao trabalho localizado há duas ruas de sua casa. Marcos insistia para lhe dar uma carona, Lúcia sempre amansava a voz para dizer: - Não precisa benzinho. Vou andando. Faz bem para o corpo. Afinal, tenho que estar a sua altura. O marido estufava o peito orgulhoso de si. Era quinze anos mais velho do que Lúcia, mas, garantia a si próprio que os outros não percebiam a diferença de idade.&lt;br /&gt;Lúcia – disse o marido enquanto lhe dava um cutucão.&lt;br /&gt;Hum... – respondeu Lúcia ainda sonolenta.&lt;br /&gt;É que... Droga! Olha Lúcia, acorda. Precisamos conversar.&lt;br /&gt;A esta hora, Marcos? – indagou a mulher irritada.&lt;br /&gt;Sim, Lúcia! A esta hora! Eu não consigo dormir...&lt;br /&gt;Ai amor, insônia de novo? Eu te faço um chá...&lt;br /&gt;Não, Lúcia! Olha, Lucinha... Vem cá, senta aqui pertinho vai... Vamos conversar...&lt;br /&gt;Lúcia – que já estava a caminho da cozinha – olhou para o marido com ar de aflição.&lt;br /&gt;Marcos, estou ficando preocupada! É o papai? Fala Marcos... Aconteceu alguma coisa com o papai? Ai meu deus! Foi o papai! – gritava Lúcia enquanto os olhos marejavam pelo incerto.&lt;br /&gt;Não, Lúcia. Não é nada disso... – aliviou o marido. Marcos levantou-se nervoso, colocou os óculos e encarou a mulher que sentada no canto da cama parecia indefesa.&lt;br /&gt;Por acaso, você lembra da Vilma? - perguntou o marido a mulher, em tom desafiador.&lt;br /&gt;Lúcia desviou o olhar. – Marcos, estou com sono. Não sei quem é Vilma. Não conheço ninguém com esse nome.&lt;br /&gt;Espertinha – balbuciou o marido.&lt;br /&gt;Desculpe? – perguntou Lúcia.&lt;br /&gt;Espertinha, sim! Você sabe quem era no telefone, Maria Lúcia? Não tem idéia, não é? – disse o marido que segurava a mulher pelo braço.&lt;br /&gt;Era o Paulo, Maria Lúcia.&lt;br /&gt;Que Paulo? – indagou a mulher.&lt;br /&gt;Que Paulo? Cara de pau. Qual o único Paulo que você conhece, mulher? O Paulo, meu cunhado, irmão da minha irmã Vilma.&lt;br /&gt;Ora, meu amor. Mas você falava da Ana Vilma? A Aninha? Como eu poderia adivinhar que era da Aninha que estava falando.&lt;br /&gt;Marcos andava rápido pelo quarto.&lt;br /&gt;É claro que eu falava da Vilma, minha irmã.&lt;br /&gt;Mas ela não é sua irmã de verdade, é irmã de criação... Você mesmo me contou que sua mãe a pegou para criar quando ela ainda era uma criança...&lt;br /&gt;Não interessa Lúcia.&lt;br /&gt;É, não interessa Marcos. Aliás, porque está me perguntando sobre a Ana? Vilma.&lt;br /&gt;Ah! Faça-me o favor... Disse o rapaz em tom de deboche.&lt;br /&gt;Eu sempre desconfiei – balbuciou.&lt;br /&gt;Não estou entendendo - disse a mulher.&lt;br /&gt;O negócio é o seguinte. Eu vi o jeito como...&lt;br /&gt;Como o que, criatura?&lt;br /&gt;O jeito como vocês se olham. Como se elogiam quando se encontram. Lúcia! Você não percebe? Todos já notaram. Eu me sinto humilhado. Você é mesmo uma sem-vergonha. O Paulo me ligou... Ele disse que achou um bilhete seu.&lt;br /&gt;O bilhete, vagabunda! – Marcos levantou a mão esquerda ao alto para esbofetear Maria Lúcia. Ela ficou como estava. Com a cara a tapa. Como se lhe dissesse “vai em frente, covarde”.&lt;br /&gt;No bilhete, Maria Lúcia relatava seu forte desejo de passear sob as curvas do corpo de Ana Vilma. Pedia-lhe – que pelo amor de Deus – fosse encontrá-la em horário de almoço, pois três dias sem tocá-la já lhe causava ânsia de vomito.&lt;br /&gt;Lúcia se levantou. Encarou Paulo nos olhos. E soltou uma gargalhada prazerosa.&lt;br /&gt;E você ainda ri? Sua descarada...&lt;br /&gt;Não precisa fingir Marcos. Eu sei que você e o Paulo também se encontram na casa da Ana. Aliás, eu não. A torcida do flamengo inteirinha. – debochou Maria Lúcia enquanto ria.&lt;br /&gt;Marcos começava a se preocupar. Pensava nos amigos do banco. E lembrou que, ultimamente, era boicotado não apenas do choppe depois do expediente, mas também, das partidas de futebol encabeçadas pelo chefe.&lt;br /&gt;Marcos desabou-se em lágrimas. Lúcia que agora fumava um cigarro na janela, aproximou-se para lhe dar um abraço. O marido caiu no sono depois de um remédio que lhe acalmou os nervos. Lúcia escovou os dentes. Deitou na cama, sorriu. Olhou para Marcos que dormia ternamente. E pensou que precisava dormir para não se atrasar para o trabalho.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-4627189361166259965?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/4627189361166259965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=4627189361166259965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4627189361166259965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4627189361166259965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/11/o-segredo-dos-soares.html' title='O segredo dos Soares'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-4514851104266421990</id><published>2008-11-13T16:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T16:34:10.190-08:00</updated><title type='text'>Marina morena, Marina mulher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Aquela noite, Marina chegou exausta do trabalho. Como de costume, deixou o leite ferver na panela sob o fogo baixo do fogão e despiu-se para o banho. Primeiro a meia-calça cor da pele, o vestido marrom de pano leve, os brincos e por fim a calcinha. Ainda com os cabelos preso no alto da cabeça, aproximou-se do espelho e percebeu –com certa tristeza – que por mais que se esforçasse, não conseguia se recordar como era o próprio rosto quando tinha quinze anos. Não se lembrava da textura da pele, do formato do nariz, do tamanho da boca.&lt;br /&gt;O leite que fervia na cozinha já começava a transbordar pela panela, Marina correu para desligar o fogo. Em seguida, entrou no banho e ao fechar os olhos, procurou tatear o rosto como uma forma de lembrar-se de si mesma, da textura da pele, do formato do nariz, do tamanho da boca.&lt;br /&gt;Ao sair do banheiro, ainda com os pés molhados deslizando no chão, Marina não relutou em olhar-se novamente no espelho e procurar em si algo que justificasse a solidão que sentia todas as noites. Enquanto tocava as rugas em volta dos olhos – e esticava-se por inteira, fazendo-se parecer as tias que de tão plastificadas pareciam sorrir a todo instante – as lágrimas escorriam no rosto e misturavam-se com os pingos que ainda restavam no corpo e pingavam dos cabelos. Marina chorava porque sempre se sentiu orgulhosa de estar a tanto tempo sozinha com o silêncio dos livros ou o barulho da televisão. E agora, Marina, aos 48 anos, sabia que não eram as rugas ou o tamanho pequeno dos seios as razões de sua solidão. Ela sabia que no fundo o motivo dos dias frios nada tinha a ver com estética. Não poderia se culpar pelo modo sério como se vestia, pela timidez no andar, pois aquilo nada tinha da Marina de 15 anos. Sabia que tudo isso era supérfluo, mutável e adaptável.&lt;br /&gt;Por fora, Marina poderia mudar a qualquer hora, todos os dias. Cortar o cabelo, quem sabe. Engordar, emagrecer, usar salto-alto, vestido, decotes, plumas. Para ela, nada disso importava mais do que descobrir o porquê de sua solidão, dos dias frios, dos braços soltos em noites quentes. Será que tanto desconforto poderia ser justificado pela essência, por aquilo que definia Marina por dentro? Não era o sotaque ou o modo como gesticulava exageradamente, era o jeito tímido, o humor inconstante, a impaciência, ansiedade, a vontade de encontrar alguém melhor, sempre algum homem de costas largas e mãos fortes, aquele mesmo homem que seria alguém amável, tão gentil como seu pai, mais alto e menos sincero que ela mesma – pois, muitas vezes sua franqueza a incomodava.&lt;br /&gt;Marina não entendia o porquê de estar sozinha há tanto tempo, aos domingos, apenas com os livros que herdara do pai. Chegou a imaginar seus dedos perdendo-se nos cabelos macios de um qualquer. Não fez isso por vontade de estar junto a alguém especial, fez por rebeldia, por não entender os dias frios sem abraço apertado.&lt;br /&gt;Agora Marina esguicha-se na janela. Como de costume, procura sentir o vento acariciar-lhe o rosto e assanhar o cabelo como um homem de mãos firmes. O mesmo vento que lhe sobe na espinha, lhe dá calor, lhe faz chegar às pontas dos pés e sorrir. Um sorriso triste, velho de todos os dias, todas as noites. É um sorriso discreto, tímido, de quem espera sem ansiedade nem muita certeza o melhor acontecer no fim do romance que se está lendo. Ela vai para o quarto, apaga a luz e deita. Como de costume, escolhe apenas um dos lados da cama de casal para não se acostumar. No lado direito, o travesseiro repousa com o peso do braço da mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-4514851104266421990?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/4514851104266421990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=4514851104266421990' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4514851104266421990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4514851104266421990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/11/marina-morena-marina-mulher.html' title='Marina morena, Marina mulher'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-7941391130624494058</id><published>2008-09-22T07:41:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T16:34:40.565-08:00</updated><title type='text'>O homem que despedaçou uma rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As janelas entreabertas permitiam que do quarto se ouvisse o amor acanhado dos pássaros. No banco da praça, a mãe ninava o filho pequeno e parecia lhe contar um segredo quando encostava os lábios ternamente no rosto da criança, beijando-lhe a face com cuidado. Na cama, os lençóis amarrotados testemunhavam o fervor da noite passada. Os lençóis que ontem se enrolaram entre pernas e abraços, agora, descansavam, calavam-se diante do choro tímido de Layla. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ela vestia uma camiseta branca, aparentemente, grande para seu corpo miúdo que se encolhia na cadeira numa tentativa de sufocar a dor. Layla segurava um papel amassado em que as palavras já manchadas pelas lágrimas pareciam lhe esbofetear a cara. Sem os rodeios de um jovem inseguro, no bilhete, Valentim dizia que a noite havia sido maravilhosa, disse também, que adorava as pernas curtas da mulher enroscando sua cintura feito uma cobra. O homem confessou que, muitas vezes, no café da rua de baixo, onde se viram pela primeira vez, excitava-se apenas de sentir o perfume da mulher. Ele dizia que suas mãos eram objeto de desejo, tudo o que um homem poderia querer quando deslizavam em suas costas e - de supetão – os dedos cravavam as unhas na carne, nos músculos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As cortinas voavam como que agoniadas com a tristeza daquela cena, tentavam chamar a atenção de Layla para a rua, para o amor dos pássaros, a mãe que ninava o filho, velhos de olhares de angustia, bêbados e famintos que assustavam madames de laquê no cabelo. Na noite anterior, Layla vestiu-se de vermelho. Deixou que os cabelos pesassem sob os ombros e treinou, durante todo o dia, o que deveria ser dito ao homem amado, após cinco anos de separação. Enquanto acendia as velas, pensava em como o tempo poderia ser inacreditável. Quando conheceu Valentim, Layla acreditou piamente ter encontrado o homem de sua vida. Quando os dedos longos do rapaz acariciavam seus cabelos e perdiam-se entre as mechas que se assanhavam, o corpo de Layla se excitava por inteiro. Ela respirava profundamente, como se agradecesse a Deus por lhe ter trazido a felicidade. Layla pensava em como eram infelizes as pessoas que nunca tiveram um grande amor, ou apenas naquelas que o deixaram escapar. Pensava naquilo com certo lamento e fazia o sinal da cruz, para que jamais perdesse Valentim de vista. Queria estar com aquele homem para o resto de seus dias.&lt;br /&gt;Com os anos, até o cheiro excitante do perfume de Layla tornou-se um afronto. Valentim andou estranho por pelo menos dois meses antes do fim da relação. No desespero, a mulher ameaçava Valentim com palavras. Dizia que, se era a vontade dele, que então evitasse perdas maiores e fosse homem o suficiente para terminar com toda aquela cena. No entanto, instantes depois, como uma criança com um espinho cravado no dedo, berrava de dor. Pedia-lhes desculpas e dizia que era mesmo uma tola, que as palavras saíram em vão. Admitia estar desesperada, mostrava-lhe sua fraqueza, seu medo de perdê-lo. Valentim apenas a olhava. Com certa compaixão, Valentim encostava a cabeça de Layla em seu peito e esperava que a mulher adormecesse. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em pouco tempo, tornaram-se estranhos na mesma casa. Layla já não mais lutava contra o desdém de Valentim, que quase não era mais visto em casa. Em uma manhã de domingo, Valentim juntou as poucas roupas que ainda restavam no armário e partiu. Quando voltou do trabalho, Layla desesperou-se com o vazio que encontrou. Trancou o guarda-roupa a chave, como que para preservar o cheiro do homem amado.&lt;br /&gt;Cinco anos se passaram e os ex-amantes se encontraram-se no café da rua de baixo. Quase não se reconheceram. Ela estava com os cabelos longos e os lábios vivos, cobertos por um batom vermelho. Como um jovem de vinte e poucos anos, aquele homem de cabelos grisalhos, tremeu tanto que derrubou café quente nas calças. Layla percebeu o cheiro de Valentim. Sorria elegantemente para os senhores de mais idade que a cumprimentavam como a uma filha, mas, no fundo se arrepiavam com o decalque da silhueta da moça. Enquanto passeava os olhos entre os velhos, Layla encontrou Valentim acanhado no fundo do café. Aproximou-se, mas não teve coragem de cumprimentá-lo. Virou-se bruscamente e seguiu para fora da loja. Ele correu para alcançá-la, segurou-lhe na cintura e já perto dos lábios, susurrou seu nome: Lay...la. Nem mais um minuto, beijaram-se fervorosamente. Subiram as escadas do prédio de Layla e ainda que tentasse, Valentim não conseguia desgrudar as mãos do busto da mulher. Correram para o quarto, caíram na cama e fizeram amor até adormecerem. Antes de escrever-lhe o recado, Valentim pensou em ficar alguns dias a mais – pois no íntimo ainda sabia que estava enfeitiçado. Pensou em confessar-lhe que estava apaixonado, mas, que era casado e provavelmente, a esposa junto as duas filhas o esperavam ansiosamete em casa, onde preparavam seu doce preferido, como que para provar o quanto aquele homem era amado. Pensou, pensou, pensou. Tirou a caneta do bolso, apanhou um pedaço de papel rasgado e escreveu o que lhe deu na telha. Olhou-a da porta do quarto e pensou que foi um homem de sorte. Sem fraquejar, novamente, Valentim partiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-7941391130624494058?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/7941391130624494058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=7941391130624494058' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7941391130624494058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7941391130624494058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/09/o-homem-presente.html' title='O homem que despedaçou uma rosa'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-5889028065118944345</id><published>2008-08-26T20:18:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T16:34:59.133-08:00</updated><title type='text'>Amor ao vento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O suor que lhe escorria o corpo, corria em direção as entranhas, queimava em brasas a pele macia cheirando a perfume. O asfalto exalava calor que penetrava debaixo das saias e lhe causava agonia entre as coxas que se encontravam a cada passo. De repente, pingos de chuva caíam lentamente sob o busto de Carolina que se apressava para não chegar atrasada na festa de aniversário de sua prima Marina. Carolina sabia que aquela hora, Marina já devia estar furiosa com seu atraso. Mas, a menina não fazia por mal. Quando alguém lhe acusava de ser extremamente distraída, ela apenas sorria ternamente e dava com os ombros.&lt;br /&gt;Apesar da tristeza daquela cena – em que Carolina deixava a água da chuva borrar-lhe a maquiagem- em breve, relâmpagos acenderiam o coração que há muito tempo não amava nem sofria. Carol chegou a festa e não demorou muito para que os olhares famintos dos meninos presentes penetrassem os grandes olhos azuis da moça, que borrados pela maquiagem preta tornavam-se ainda mais atraente. Ainda molhada, Carol desculpou-se e pediu que a prima lhe trouxesse uma toalha. Envergonhada com os olhares que a inibia cada vez que percorriam a curva de sua cintura, cobriu o corpo com pudor. Carolina não demorou a perceber que disfarçadamente os olhos de Gustavo se perdiam entre os outros vários e pareciam-lhe pedir que a menina se aproximasse um pouco mais, que lhe dessa mais atenção, talvez um sorriso ou um afago no rosto. Naquele instante, os olhos de Gustavo pareciam sinceramente lhe implorar amor eterno.&lt;br /&gt;Gustavo dançava com outra, tentava admirar a beleza daquela em sua frente, mas, nada se comparava aos olhos de diamante da amada. Carolina aproximou-se, alisou ternamente a face do menino e lhe disse: “Você nunca dançou assim comigo”. Gustavo olhou-a por um momento, parecia que os olhos dos amantes enfim concordavam que o acaso era coisa de Deus e assim, Gustavo pensava que imediatamente deveria segura aquelas mãos delicadas que tremiam em sua frente. Os olhos se desculpavam pelas farpas, pelas lágrimas, ora sorriam, ora se entristeciam, ali naquele mesmo lugar, estáticos, os olhos se amavam em silêncio.&lt;br /&gt;Gustavo admirava a maneira como Carolina sorria fechando os olhos, deixando transparecer o prazer que sentia quando ele - meio as discussões- lhe dizia que o amor a tudo perdoa. A menina aproximou-se. Gustavo mudou o tom, acusou-a com mil ofensas, disse-lhe mentiras absurdas, disse-lhe que não mais a amava. Carolina, por sua vez, caiu em prantos, aos soluços, jogou ao vento palavrões. Gustavo partiu com a outra de beleza lânguida. Carol acomodou-se no colo de Marina e soluçou forte para que as promessas de nunca mais amar a outro não saíssem sem razão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-5889028065118944345?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/5889028065118944345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=5889028065118944345' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5889028065118944345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5889028065118944345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/08/amor-ao-vento.html' title='Amor ao vento'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-4241365957216662889</id><published>2008-07-29T13:31:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T16:35:22.913-08:00</updated><title type='text'>Vontades iguais, desejos contrários</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era uma tarde de sol quente. O suor que escorria no corpo da menina corrompia a inocência da virgem. A praia estava quase deserta. Um barraco feito da palha seca da palmeira, três crianças nuas e desnutridas corriam ao fundo da casa, e um lençol branco que balançava preso ao arame traduziam a poesia da cena. Apesar da paisagem, a beleza feroz de Moema feria qualquer tentativa de castidade. Vestia uma saia de malha fina que balançava levemente junto ao lençol branco. Muitas vezes, o vento forte ameaçava arrancar-lhe a roupa apenas com um único sopro. Moema sorria com as cócegas que a brisa lhe causava nas pernas. De longe, ela avistou José. Tratou de exibir-se. Correu para o mar e afundou o corpo inteiro. Enquanto José distraído aproximava-se, Moema nadou até a borda do mar e levantou-se em silêncio. A saia grudou nos quadris como uma segunda camada de pele. Por baixo da blusa de alça, era possível ver o formato dos pequenos seios. Ao ouvir os passos de Moema, José parou. Moema estava logo atrás do homem, tão próxima de seu corpo que ele sentiu um calafrio na espinha. Desequilibrou-se por conta de uma tontura sintomática. A mesma que sentia todas as vezes em que via Moema.&lt;br /&gt;- José?– Disse ela quase em sussurros.&lt;br /&gt;O homem virou-se. Por um momento quis segurá-la pela cintura sem dizer uma palavra sequer. Desistiu. Segurou-lhe a mão esquerda e lhe deu um beijo seco. O beijo que lhe fez a boca arder como se tivesse encostado os lábios em pimenta.&lt;br /&gt;- Moema – Respondeu.&lt;br /&gt;A menina correu em direção à mangueira, esticou-se nas pontas dos pés, o que lhe fez parecer uma criança desajeitada, dessas que estão quase sempre com os joelhos sujos de terra. Parado, José observava a cena. Olhava os pingos caírem apressadamente do corpo da menina. Escorriam depressa e era como se o corpo de Moema derretesse sob seus os olhares famintos. Moema arrancou uma manga rosada e, imediatamente, mordeu-a como se a fruta fosse a boca do homem amado. Sem perceber, deixou que a cena transparecesse a ousadia forjada. As mãos fraquejavam, tremiam de nervosismo e ela temia que a fruta - metaforicamente, vista como a boca de José- escapulisse ou azedasse no contato imediato íntimo com a língua.&lt;br /&gt;José chegou mais perto da menina, inclinou-se em direção a boca que cheirava a manga e a beijou com vontade. Primeiro, tocou-lhes os lábios inferiores onde o cheiro era mais forte. Quase que de repente, José e Moema estavam entregues um ao outro. Sujos de areia, os corpos ainda estavam cobertos por uma blusa desabotoada e uma saia que ainda cobria as partes íntimas da menina. Quando deu por si, entregue e sem a rédea da situação, Moema gritou. José afastou-se já abotoando as calças com medo de que alguém pensasse que havia forçado a abertura de pernas da menina. Moema parecia assustada. Ainda sentada, afastou-se de José. Ele que já havia abotoado a blusa por inteiro buscou um cigarro no bolso e não encontrou. Nervoso, indagou:&lt;br /&gt;- Então, Moema. Como vão as coisas aqui na região?&lt;br /&gt;- Como sempre- Disse a menina.&lt;br /&gt;- Bem... – Ele olhou o relógio.&lt;br /&gt;- É, bem.- Ela baixou os olhos.&lt;br /&gt;- Está na minha hora. Minha esposa já deve ter estar servindo o jantar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Moema permaneceu calada. José já estava distante e sua imagem era quase um vulto. Moema levantou o branço e acenou-lhe adeus. José estava de costas. Certamente, não viu. Moema caiu de joelhos no mesmo lugar em que seu corpo rolou junto ao do homem amado. Juntou as mãos e rezou até anoitecer. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;José chegou em casa. A mulher estava furiosa. Ele preferiu não provocar. Jantou, deitou-se na rede e olhou o mar. A mulher gritava histérica. Atirou um prato no chão, na tentativa atrair os olhos do marido. José parecia enfeitiçado. Deitado na rede, deixava escapar um sorriso de canto de boca enquanto lembrava-se de Moema mordendo a manga com ferocidade. Longe dali, Moema desejava a morte do homem. José desejava os seios de Moema. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-4241365957216662889?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/4241365957216662889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=4241365957216662889' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4241365957216662889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4241365957216662889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/07/vontades-iguais-desejos-contrrios.html' title='Vontades iguais, desejos contrários'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-5629553435857966326</id><published>2008-07-07T12:06:00.000-07:00</published><updated>2008-07-14T13:28:51.294-07:00</updated><title type='text'>Alina e Pedro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;Alina e Pedro. Os lábios dela em chamas. Os olhos dele transbordando em lágrimas. 60 centímetros de distância entre bocas, olhos, Pedro e Alina. Uma vida inteira vagando em um abismo de 60 centímetros. Pedro era um homem de olhos miúdos e barriga um pouco saliente. Quando conheceu Alina, os cabelos pretos retintos já estavam manchados de branco pelo tempo. Eram os olhos miúdos, o grisalho do cabelo, as falhas da barba, a gargalhada sarcástica, o bom humor e todas as horas vagas que Pedro lhe concedia em tardes secas e noites chuvosas, que deixou Alina paralisada durante o encontro inesperado dos ex-amantes. Era fim de tarde e o céu alaranjado de Brasília se exibia para os ambulantes, como uma mulher indecisa que, propositalmente, troca de roupa na frente do amado: primeiro, cobrindo-se com um véu azul. Depois, vestia-se de laranja e, por fim, de vermelho afogueado, o preferido dos homens. Assim como o céu da cidade, Alina despia-se na frente de Pedro, para que ele notasse suas curvas. Para que em sua memória, ficasse a lembrança do belo par de pernas, das sardinhas salpicadas nas costas.&lt;br /&gt;Alina era o avesso de Pedro. Os olhos pareciam duas jabuticabas. Eram tão redondinhos, pretos, vivos. Naquele dia, quando Pedro e Alina se reencontraram pela primeira vez, após anos sem vinhos, queijos e amor no sofá, a agonia voltava a reinar entre eles. As mãos tremiam, as pernas bambeavam. O rosto de Pedro parecia, à primeira vista, o rosto de um homem ferido. Pareceu-me um soldado fracassado, desses que jamais receberam medalhas ou títulos. Pedro parecia faminto pelo colo da mulher. No momento em que foi pego de surpresa pela presença da amada, tentou esconder que os olhos de jabuticaba lhe causavam vasto sentimento de felicidade. Alegria maior ocorreu no instante em que lançou um olhar discreto nos dedos da mulher e percebeu que estavam livres de anéis que comprometessem sua liberdade . Sem hesitar, Pedro pensou que ainda era o homem preferido da moça.&lt;br /&gt;Um sopro de vento frio assanhou as longas mexas do cabelo dourado de Alina. Os cabelos roçaram o rosto de Pedro. De mansinho, causaram-lhe cócegas. Por um instante, como que cedendo aos grandes olhos de jabuticaba de Alina, Pedro sorriu. Foi um sorriso amável, seguido de uma gargalhada suave e terna. Alina &lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;escabreou-se&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt; Com força, segurou os cabelos revoltos que dançavam no ar. Os fios enrolavam-se, mais pareciam amantes disputando a atenção do homem amado.&lt;br /&gt;- Desculpe – disse Alina ainda encabulada.&lt;br /&gt;Pedro, ainda estático, não ouviu o tímido pedido de desculpas. Naquele momento, os olhos já percorriam a beleza lânguida da mulher. Estava tão magra que os joelhos sobressaltavam. Pedro não ligava. Na verdade, seus olhos brigavam contra a vontade de grudarem-se nos seios que se apresentavam firmes em sua frente. "Ainda estão belos", pensou Pedro que desejava se aproximar alguns passos a mais para sentir aqueles seios que mais pareciam dois soldados à postos. Assim, ele a envolveria amavelmente, protegendo os dois soldados do sol quente, de outros olhos famintos. Pedro olhava Alina com desejo e com a euforia de uma criança burguesa em dia de Natal. Enquanto pensava nos dois soldados à postos, prontos para um embate que ele desejava há anos, Pedro se lembrava da primeira vez em que fizeram amor. Os corpos, ainda que encabulados, confundiam-se entre si. Eram pernas e pêlos que se enrolavam, enquanto os olhos vivos de jabuticaba da menina juravam-lhe amor eterno. Mesmo em silêncio, ele sabia que era para sempre. Sabia que a partir daquele instante, enquanto a flor tão delicada, desabrochava, tinha a certeza de que aquele sentimento de agonia e frio na barriga voltaria toda vez que visse os grandes olhos da mulher.&lt;br /&gt;Enquanto voltava a si. Apesar de tomado por uma surdez momentânea, Pedro percebeu que da boca de Alina saiam palavras desesperadas. O franzido da testa transparecia raiva e os olhos pareciam embevecidos de loucura.&lt;br /&gt;- Estou indo embora... – falou Alina já com a voz cansada.&lt;br /&gt;- Mas... porque? – disse Pedro.&lt;br /&gt;- Acho que vai chover.&lt;br /&gt;- Não, não vai. O céu está limpo.&lt;br /&gt;- Pedro...Acho que vai chover e eu estou de saída.&lt;br /&gt;- Tudo bem. – Disse Pedro já percebendo o desinteresse da mulher.&lt;br /&gt;Ele virou-se e seguiu em passos lentos. Ela continuou ali, procurando uma forma de fazê-lo entender que a sua atitude não se tratava de rejeição, que, na verdade, ela queria aquele homem para sempre, assim como uma vez havia lido no conto &lt;em&gt;Fomos Perfeitos&lt;/em&gt;, de Cléo Araújo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu quero este homem para sempre. Eu quero este homem para sempre. Eu quero... – Repetia Alina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pedro parou.&lt;br /&gt;-Disse alguma coisa?&lt;br /&gt;- Eu... Eu... Não! Nada. Eu não disse nada.&lt;br /&gt;- Sei...Cuide-se, então. – Pedro saiu desapontado.&lt;br /&gt;- Ei! Espera!&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Canta!&lt;br /&gt;- Cantar?&lt;br /&gt;- É! Canta aquela música que eu gosto.&lt;br /&gt;- Aquela? Tem certeza?&lt;br /&gt;A música era &lt;em&gt;trocando em miúdos&lt;/em&gt;, de Chico Buarque. Uma canção triste que fazia Alina chorar todas vez que a ouvia tocar no rádio. Antigamente, sua mãe cantarolava aquela música como alguém que ouve fielmente a um consolo. O pai havia ido embora. Simplesmente sumiu. Alina adorava a música e Chico Buarque tornara-se ,agora, o seu conselheiro.&lt;br /&gt;Pedro buscou o violão no carro, sentou no degrau da escadaria da Igreja e começou a dedilhar.&lt;br /&gt;- Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim. Não me valeu. Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim! O resto é seu...&lt;br /&gt;Alina chorava copiosamente. Sentou-se junto ao rapaz e escondeu o rosto entre as mãos pequenas, deixando que as lágrimas escorressem entre os dedos, borrando a maquiagem, molhando o vestido.&lt;br /&gt;Pedro evitou consolá-la. Na verdade, estava feliz. Alina chorava e no íntimo de seus soluços, assumia a saudade que sentia de Pedro.&lt;br /&gt;- Trocando em miúdos, pode guardar, as sobras de tudo que chamam de lar. As sombras de tudo que fomos nós. As marcas de amor nos nossos lençóis. As nossas melhores lembranças.&lt;br /&gt;Alina levantou-se do degrau. Limpou as lágrimas tão rispidamente que os dedos poderiam ter lhe rasgado as pálpebras. Encarou Pedro nos olhos e continuou:&lt;br /&gt;- Aquela esperança de tudo se ajeitar. Pode esquecer. Aquela aliança, você pode empenhar. Ou derreter. Mas devo dizer que não vou lhe dar, o enorme prazer de me ver chorar. Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago. Meu peito tão dilacerado...&lt;br /&gt;Pedro dedilhava as cordas de aço com a ferocidade de um leão devorando a presa. As pontas dos dedos sangravam, enquanto Alina continuava:&lt;br /&gt;-Aliás, aceite uma ajuda do seu futuro amor...Pro aluguel. Devolva o Neruda que você me tomou...E nunca leu&lt;br /&gt;Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade e a leve impressão de que já vou tarde.&lt;br /&gt;Alina juntou as sandálias, prendeu os cabelos, olhou fundo dos olhos de Pedro e partiu. Pedro limpava o sangue dos dedos com um lenço branco que guardava no bolso. Levantou-se e correu atrás de Alina que, cambaleando, desfilava entre os carros apressados na rua. Enquanto Pedro corria e tentava alcançar Alina, bruscamente, um carro desgovernardo atravessou seu caminho. Ouviu-se um grito. Os pombos da praça voaram todos. Pedro encontrava-se, agora, no meio da rua. Alina estava morta, estirada em seu colo, com os olhos de jabuticaba cerrados. Apesar das buzinas estridentes dos veículos em fila, Pedro sentiu-se a sós com Alina. Naquele instante, 60 centímetros não era nada perto do vazio que os separavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-5629553435857966326?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/5629553435857966326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=5629553435857966326' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5629553435857966326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5629553435857966326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/07/alina-e-pedro-triste-histria-de-um.html' title='Alina e Pedro'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-1349650913619972313</id><published>2008-05-24T12:51:00.000-07:00</published><updated>2008-07-15T06:33:55.671-07:00</updated><title type='text'>Anjo torto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ângelo, derivado de anjo, era de longe o melhor dos homens. Apesar de limpo e coeso, as manias do rapaz tornaram-se um empecilho para alguém com vinte e poucos anos e nenhuma amante sedutora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Todas as manhãs, ainda sonolente, Ângelo saía para as corridas no parque. Com o cronômetro na mão, corria no tempo exato de 13 minutos, 10 segundos e alguns poucos milésimos. Quando perdia-se não alcançava o tempo determinado, via-se obrigado a redobrar as voltas no quarteirão, de modo que fosse possível rodear também cada árvore encontrada no meio do caminho. Além do que, não voltava para casa enquanto não cumprimentasse a todos que caminhassem ao seu lado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Apesar das manias, Ângelo forjava normalidade. Certa vez, engatou um namorico com a filha de Juca, o bibliotecário. O rapaz viu-se atordoado pela idéia de livrar-se de sua virgindade escandalosa, daquilo que lhe remetia a patética idéia de ser o homem mais santo da cidade. Patética pois, para Ângelo que era filho de mãe solteira e nordestina, uma mulher que todos os dias lhe gritava aos ouvidos que os homens eram caçadores por natureza, entendia o estinto predador como um dom. Ângelo ignorava o póstulo santífico que lhe foi concedido pela boa aparência que preservava, mas, na verdade, o que ele mais desejava, era impregnar-se de cheiro de mulher vadia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Namorou Virginia, a “Virginal”, por pouco mais de duas semanas, até o dia em que a menina lhe apareceu nua, com os pêlos puros e a carne jovial e inocente à revelia. Virgínia, inibida apenas por alguns instantes, foi tomada por uma vontade ardente que lhe fazia pensar em coisas absurdas em pleno leito nupcial. As coisas absurdas que lhe vinham à cabeça, faziam seu corpo queimar em chamas, enquanto os poros expeliam um suor quente e promíscuo. Ângelo, ao deparar-se com a cena inesperada da menina nua em pêlos, desesperou-se com o tesão que sentia. A testa suava em bicas, enquanto ele perdia os sentidos numa lucidez indesejada, o que o levou a um desmaio repentino, do qual apenas se recuperou na manhã seguinte, com a infeliz notícia de que Virgínia, a virgem, havia sido extraviada para fora da cidade naquela mesma noite, para que se envergonhasse de sua frustração sexual pelo resto da vida. Tal constrangimento a levaria a ser conhecida como Virginia, a libertina.&lt;br /&gt;Ábia conviveu como rapaz do terno sempre polido e cabelo engomado por exatamente dois meses. Ângelo poderia ser um homem algoz e amável ao mesmo tempo. Tinha o gênio forte e a pele macia. Há quem diga que se parecesse com Pietro Crespi, o galã de Cem anos de solidão, obra de García Márquez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ângelo Acostumou-se de tal maneira com a presença de Ábia que já era impossível vê-lo distante dos pés da moça. Praticamente, mudou-se para o apartamento da mulher. Ábia retornava das aulas semanais de teatro e avistava o sofá em uma posição diferenciada. A cama, que antes podia-se presenciar o apogeu de uma paixão indomável, havia se tornado ringue de disputa. Ábia não seguia o calendário lunático imposto pelo rapaz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ângelo tomou-se por uma ousadia incalculável que até Gastón, o gato, viu-se incomodado com a presença dele na casa. Um dia, Gastón chegou a passar exatamente duas semanas perambulando pelas ruas da cidade, até que fosse dado como desaparecido e ,finalmente, livre daquele tormento em forma de cachos dourados e rosto de bom moço. No entanto, Ângelo espalhou pela cidade, cartazes com a foto do gato, em que oferecia uma recompensa valorosa para quem entregasse Gastón ao lar. Faminto, Gastón voltou por vontade própria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ábia irritou-se desde o último fio de cabelo até a ponta de seus dedos macios quando notou o calendário erótico que o rapaz havia predestinado para as noites mais fogosas do casal. Ela não era convencional, nem ao menos, puritana, mas, sexo em posições de yoga lhe causariam dores musculares terríveis.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte não foi preciso uma só palavra. Apesar da ousadia, Ângelo sabia bem a hora de abandonar o barco. O rapaz voltou para o quitinete alugado ao lado da mulher amada. Conviveu com aquele desprezo sedutor de Ábia por nada menos que uma semana, quando conheceu Masako, uma intercambista japonesa. Masako era filha de aristocrata e seus costumes eram ainda mais perversos do que os dos demais humanos. Até hoje, Ábia coleciona alguns postais de Ângelo que jura estar completamente curado das manias perturbadoras. Agora, o problema é Masako que desenvolveu toques exóticos para desempenhar atividades sexuais, a preferida chama-se sashimi. Ângelo preferiu não explicar.&lt;br /&gt;Novamente, Ábia sentiu-se descabida. A solidão tomou conta do peito e sua vontade era de atirar-se nas barras das calças de um homem qualquer. Agarrou-se nas paixões mais tímidas e em pouco tempo, voltou a detestar a mesmice de amores concebíveis e viáveis. Voltou a pensar em Novelliqué. Ábia perguntava-se onde andaria o velho poeta. Pergunta-se se o homem ainda costuma tomar café sem açucar, se ainda gosta de jazz ou se ainda não admite que adora country americano. No entanto, o que mais a mulher se pergunta, é se Novelliqué ainda pensa naquela mulher que amou inúmeras vezes no chão frio da sala de estar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-1349650913619972313?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/1349650913619972313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=1349650913619972313' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1349650913619972313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1349650913619972313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/05/o-anjo-torto.html' title='Anjo torto'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-8400775876543958800</id><published>2008-05-11T20:09:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T05:28:13.165-07:00</updated><title type='text'>O novo vizinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arrastava-se pelos cantos da casa, fungando a poeira das cortinas e o cheiro doce das rosas na varanda. Ábia cheirava paredes, copos e lençóis, em busca de um resto do cheiro do poeta Novelliqué. Nos últimos dias, as paredes vizinhas já não estavam mais mudas. Essas finas paredes de gesso permitiam que Ábia ocupasse o tempo, imaginando como seria o novo vizinho. Algumas vezes, debruçava-se na varanda à procura de encontrá-lo. Alto, baixo, tímido ou desbocado, judeu ou agnóstico, alérgico e asmático, não importava como era o homem. Ela gostaria de vê-lo, do modo que ele quisesse aparecer.&lt;br /&gt;Em alguns dias, Ábia voltou a atuar no teatro, cortou os cabelos e flertou com todos os homens da cidade (desde o bancário, gordo e simpático, ao padre de missas maciças, jovem e empoeirado pela batina branca bordada a ouro). De qualquer modo, Ábia gostaria de ver o novo vizinho. Esperava encontrá-lo vestido de terno e gravata, apressado no elevador, de bermuda jeans, esguichado na varanda, de tênis e bermudas largas, na volta de um passeio com o cachorro. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Anciosa, Ábia apressou-se, deixou-lhe um cartão de boas-vindas, "Seja você quem for. Espero-te as nove, na entrada do prédio", dizia o cartão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por conta da demora no recebimento de alguma reposta sobre o encontro forçado, de um modo inesperado, as antigas dores intestinais voltaram a perturbar o sono da mulher. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por conta da angústia, Ábia desmaiava em braços estranhos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aquela falta de resposta sobre a verdadeira identidade do rapaz, fazia com que os pensamentos de Ábia girassem em torno de concepções apressadas. Santificou-o de tal maneira, que não lhe agradava a idéia de que o novo vizinho poderia se tratar de um bruto! Que os lindos vasinhos de orquídeas expostos na varanda fossem, talvez, presente de uma antiga namorada, uma mulher de grandes seios e ancas largas, a qual o homem só se lembrava a meia- noite, referindo-se a moça por palavras obscenas e excitantes. Eram palavras disparadas em bom tom para que Ábia soubesse que ele se tratava de um total cafajeste e se o quisesse seria daquele jeito, apenas na hora da agonia.&lt;br /&gt;Ábia, por três noites, caiu em prantos. Desesperou-se com as lembranças que do poeta Novelliqué. Gastou as noites contaminando-se de pensamentos podres sobre o novo vizinho. Desistiu dos encontros forçados, desistiu do homem que lhe causava vômitos repentinos e tonturas constantes. A partir de então, colocou-se meio a uma fuga desesperada, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;passou a sair mais cedo de casa e a demorar na volta do trabalho. Após duas semanas, Ábia observou que, jogado junto as flores na varanda, havia um recado amarrotado, onde se dizia: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;"Desculpe não ter aparecido. Ocorreu-me um imprevisto. Te espero hoje, às oito da noite, sem falta".&lt;br /&gt;Ábia enlouqueceu de aflição. Foi tomada por um medo devasso ao pensar na possibilidade de encontrar-se com o homem das orquídeas. Era como se o estado contemplativo de observar as pessoas sob uma ótica íntima e egoísta fosse mais prazeroso do que encarar o amor cara a cara. Talvez, por medo da considerável chance de decepção, acovardou-se, resolveu não ir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-8400775876543958800?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/8400775876543958800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=8400775876543958800' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8400775876543958800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8400775876543958800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/05/o-novo-vizinho.html' title='O novo vizinho'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-5021698609574359794</id><published>2008-03-31T19:24:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T05:32:29.044-07:00</updated><title type='text'>Fim do romance inventado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No coração do poeta apenas se hospedavam romances de fim de festa, destes que acabam quando o sol já nasce. A leveza nas palavras e a firmeza nas mãos que tocavam corpos de cores diversas em noites em que mulheres juravam-se únicas na vida do amantes, era o que lhe tornava o melhor dos amantes. Ábia sentia um medo infantil de desprender-se daquele homem. Ameaçava debruçar-se em qualquer louco de coração ferido destituído da vontade de amar, apressando-se, apenas para um amor fingido quando lhe desse na telha.&lt;br /&gt;Ela que não mais se encontrava em tardes alegres no parque, no refrescante mergulho no lago, nas flores coloridas que tanto gostava, começou a sentir o alvoroço das náuseas intestinais. A vontade absurda de amar a apenas um único homem era maior do que qualquer filosofia de vida barata que costumava pregar nos quatro cantos do mundo. Em desespero, resolveu respirar o ar da cidade calma. Como a mãe acolhe o filho miúdo nos braços, a calmaria das ruas lhe acalentava quando vinham as saudades de amores efêmeros.&lt;br /&gt;No dia em que o poeta perambulava ruas a fora, procurando na singularidade da cidade esquisita a rima do ré com cré para um poema xulo, Ábia tomava-se de uma raiva que lhe fazia o sangue subir à cabeça. Pés e mãos encharcavam-se como cachoeira. Dentre as esquisitices que lhe surgiram, estava uma insônia insuportável. A todo instante se pegava vigiando cada passo de Gerald Novelliqué. Em pouco tempo, aquela admiração abusada tornou-se explícita. Novelliqué, já sufocado pela paixão da mulher, mudou-se de vez do apartamento. Primeiro foram-se os livros, depois o pó que sobrou deles.&lt;br /&gt;No limbo da incerteza e da espera, Ábia preserva nos lençóis sujos o cheiro de noites adoráveis, os copos sujos de vinho e olheiras que aumentam com o passar de noites não dormidas. Dentro de si, havia corrompido tudo de mais verdadeiro por um amor apressado que lhe desgrenhou até o último fio de cabelo. Das lembranças que lhe restaram, havia uma úlcera no peito que incomoda quando o vento esfria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-5021698609574359794?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/5021698609574359794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=5021698609574359794' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5021698609574359794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5021698609574359794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/03/fim-de-romance-inventado.html' title='Fim do romance inventado'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-8212543029219833510</id><published>2008-02-11T17:16:00.000-08:00</published><updated>2008-06-09T05:39:08.943-07:00</updated><title type='text'>Amantes de um romance inventado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Gastão mais parecia uma bola de neve estupefante. Ábia adorava vê-lo rolar o pêlo no carpete. Emaranhava-se, num nó de si mesmo, mais parecia sentir-se intrigado com a própria presença. Para a dona, o gato era muito mais interessante do que qualquer um dos homens engravatados que lhe ofereciam felicidade eterna ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;Mesmo que os seios sufocados no corpete bem-atado ao corpo, fossem o que havia de mais vistoso numa atriz sem talento, Ábia se portava como uma dama pudica. Jamais se entregou por interesse carnal ou financeiro, varava horas num apartamento fechado a lembrar-se de Gerald Noveliqué, o poeta francês. Era médico diplomado, socialista por simpatia, boêmio por escolha e poeta na maior parte do tempo.&lt;br /&gt;Num domingo pálido de brisa fria, Ábia gargalhava com os anúncios de classificados dos corações solitários. Escrito em francês popular, Gerald Novelliqué procurava dividir o apartamento com alguém que falasse seu idioma. Com as poucas palavras ensinadas por Matié Marié, a professora de piano, Ábia desafiou um francês enrolado. Mesmo que Novelliqué bem soubesse que o esforço era uma tentativa de aproximação, não recusou a proposta. Além do que, o preço tornou-se bastante razoável depois do primeiro encontro. Quando percebeu o grisalho da barba do poeta, Ábia sentiu-se ainda mais atraída. O grisalho lhe dava um ar de sabedoria. Para Ábia, era sinônimo de proteção.&lt;br /&gt;Ábia sentia uma alegria imensurável ao ver aquele homem debruçado na janela, no amanhecer do dia. A presença daquele velho poeta envolvia-a com uma áurea protetora da qual ela desejava jamais desprender-se. Deste modo, sentia-se a melhor das amantes. Em tardes chuvosas Ábia e Novelliqué passavam horas sob a mesma vontade de continuar naquele apartamento mudo por anos. Imaginavam quando se renderiam ao desejo gritante de se amarem no chão do quarto. No desespero daquela vontade incendiante, fariam amor por uma eternidade. Depois, não seria dita uma só palavra que jurasse aquele romance. O silencio consentiria pelos dois.&lt;br /&gt;Ábia esperava pelo dia em que Novelliqué embalaria aquela pobre mulher no leito de seu sofrimento. Enquanto ela chorasse dores de um outro amor, Gerald a envolveria tão precisamente que poderia um furacão devastar aquele apartamento minúsculo no centro da cidade e os amantes continuariam ali, estáticos. Um compartilhando a sofreguidão do outro. Iam fundir-se num só. Quando retornassem à realidade, conscientes de si próprios, desejariam que outra tempestade se encaminhasse logo, pois o desejo de manterem-se atados por uma infinidade era recíproco e assim não haveria mais porque esconder-se nos cantos da casa. Seria necessário que o mundo soubesse que aquela mulher e aquele homem tornaram-se cúmplices!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-8212543029219833510?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/8212543029219833510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=8212543029219833510' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8212543029219833510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8212543029219833510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/02/amantes-de-um-romance-inventado.html' title='Amantes de um romance inventado'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-3107366332332396859</id><published>2008-01-19T07:50:00.000-08:00</published><updated>2008-06-09T07:41:13.547-07:00</updated><title type='text'>Um breve conto sobre Ábia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao despertar, às 5 da manhã, esperava os primeiros fleches de luz acariciar-lhe a face, como a mão áspera do pai tocando-lhe o rosto ainda naquela época em que chorava por amores banais. Era como uma benção. Como se as primeiras horas do dia lhe trouxessem sorte. Mesmo em manhãs cinzentas de ventos úmidos, sentia-se forte o bastante para enfrentar o chão da cidade e o semblante cansado de executivos apressados ao celular, histéricos engravatados em sapatos polidos.&lt;br /&gt;Preservava um estado de contemplação constante. Em tom subentendido de saudade, a mãe lhe dizia que a mania de apreciação do mundo, formas, cores, lugares, rostos, sentimentos, idéias, era coisa do pai. Helena poucas vezes tocava no nome do falecido marido. Se não, quando para exaltar a péssima vocação para chefe de família. Referia-se a ele como um “beberrão”, um verdadeiro “borra botas”.&lt;br /&gt;Quando criança, a menina colocava-se na ponta dos pés para alcançar a janela do quartinho dos fundos, o que lhe permitia observar o senhor decrépito, preso num quarto empoeirado, tomado por uma melancolia excessiva e olhar frágil. Mesmo quando o homem morreu, triste, louco e magro, preso num quarto fúnebre, não permitiu que reformassem o local. A poeira, os quadros sujos de tinta velha, o cheiro forte da morte eram recordações paternas.&lt;br /&gt;Chama-se Ábia, abençoada por Deus.&lt;br /&gt;Cabelos longos, negros, encaracolados. Olhos miúdos, sobrancelha cerrada, curvas salientes. Odeia pretensão, crença exagerada, amor morno. Repudia veemente a mesmice. Detesta rotina, atos mecânicos e amantes constantes. É mística, cética, chata. Vai ao cinema em domingos lotados, ao teatro quando está vazio. Nunca fez plástica no nariz, nos seios ou nos quadris. Adora poetas, músicos, artistas, homens, mulheres, solteiros, casados infelizes, senhoras de conversas tolas, amigos do peito, altos, negros, morenos, ativistas, ecologia. Ábia adora o mar, o céu, enterrar os pés na areia úmida, tomar café em fim de tarde. Odeia formigas. Adora Lírios, rosas, violetas, margaridas. O sol afagando o rosto às 5h da manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-3107366332332396859?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/3107366332332396859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=3107366332332396859' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/3107366332332396859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/3107366332332396859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/01/lembranas-do-cotidiano.html' title='Um breve conto sobre Ábia'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-8680355742209657321</id><published>2008-01-08T08:49:00.000-08:00</published><updated>2008-06-09T07:53:33.388-07:00</updated><title type='text'>O luto da mulher infeliz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em um dia claro de verão caloroso, vestiu-se de preto. Abotoou os punhos e a garganta, deixou que o luto cobrisse os tornozelos, o colo e o rosto.&lt;br /&gt;Na estante, os livros jaziam empoeirados. O gato esquálido miava esganiçado, num gemido suplicante, sedento de água, comida, amor e cafuné.&lt;br /&gt;Na casa imunda, suja de pó e tristeza, o sol tímido penetrava as frestas das janelas de vidro escuro. O vento que assanhava as cortinas de renda, soprava o rosto da mulher infeliz, sem brio e dona de uma alma decadente. Os olhos pareciam as únicas partes vivas do corpo. Eram olhos grandes, fortes, fugazes mas, com a nostalgia de uma criança de rua.&lt;br /&gt;Sentada numa poltrona, em frente as janelas, deixava o dia correr apressado, como se esperasse que, de repente, o amanhã não existisse mais. Como se desejasse que o dia fosse coberto pela noite e, por fim, a luz radiante do sol não mais lhe clareasse o rosto. Deste modo, a mulher infeliz diminuiria de tamanho, encolhendo-se até tornar-se pequena e esquálida como o gato faminto, permitindo servir-se, ela própria, de banquete para o animal. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No mais, a mulher infeliz parecia desejar a morte discreta, sem sangue ou tiros barulhentos, parecia querer o fim de modo silencioso, onde a carcaça de pele podre virasse pó junto à poeira dos móveis da sala.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por Tainá Falcão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-8680355742209657321?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/8680355742209657321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=8680355742209657321' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8680355742209657321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8680355742209657321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2008/01/o-lutoda-mulher-infeliz.html' title='O luto da mulher infeliz'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-8563062130255112034</id><published>2007-11-10T13:12:00.000-08:00</published><updated>2008-06-09T07:53:58.017-07:00</updated><title type='text'>O conto dos amantes anônimos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era noite. O quarto estava escuro e um vento forte entrava pela janela escancarada, revirando as cortinas em agonia. Os olhos ávidos do homem de barba a fazer, passeiam nas curvas do corpo da amada. Ela, debruçada no próprio sono, desperta numa disposição forjada para ceder à rotina do pródigo amor matinal. Entrelaçados, os corpos oferecem caridade ao amor frustrado.&lt;br /&gt;Em um curto instante, o homem e a amada, caem para lados contrários da cama.&lt;br /&gt;Ela chora baixo, esconde o rosto nas mãos. De repente, sente a solidão traiçoeira e o vento frio que os une num abraço desesperado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As olheiras fundas testemunham o quanto ela sofreu por antecipação. Na noite passada, maquinava o fim e recordava, com certo pavor, das inúmeras vezes em que ela e o melhor amigo do marido, robusto e com cheiro do mar na pele que a excitava em arrepios, roçaram o corpo suado em bica nos lençóis da bodas de prata. Foram ditas palavras sujas sem pudor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Enquanto arruma as malas, ele lança para a amada, olhares moribundos a pedido de compaixão.&lt;br /&gt;Na terceira semana do fim, ela percebe a manhã cinzenta, vazia sem a vadiagem do amor costumeiro. Como uma felina, se desperta rangendo os dentes e geme ternamente, espreguiçando cada parte do corpo miúdo. Os dias frios, dentro da cidade de céu sujo, resumiam a vida ao ciclo de paixões banais que tivera desde o rompimento. Sem aquele homem da barba mal feita e olhar moribundo tornava-se, aos poucos, insuportável viver.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Ele continua com casos passageiros e paixões inventadas. De nenhuma forma, sente-se culpado pela solidão apressada. Com o passar das noites, ao despertar emaranhado em corpos de formas, cores e curvas variadas, sentiu-se enfadado com a vida que levava, ao ponto de expulsar qualquer mulher que se sentisse acomodada em seu colo. Agora, o homem sentado na mesa de um bar qualquer, assiste ao pôr-do-sol de um domingo nostálgico. Sente-se só. Aos poucos, as lágrimas misturam-se com uísque e gelo derretido. Enquanto, a banda de jazz improvisa o blues, do jeito que ela gostava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-8563062130255112034?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/8563062130255112034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=8563062130255112034' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8563062130255112034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/8563062130255112034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/11/o-conto-dos-amantes-annimos.html' title='O conto dos amantes anônimos'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6231166479215470286</id><published>2007-10-25T12:39:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:58:36.639-07:00</updated><title type='text'>De tanto a mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;De tanta vergonha, enquanto esvaziava o peito de ressentimento e cólica pelo acontecimento, barbeava-se sem olhar no espelho. Intercalava os furúnculos na bochecha esquerda e lembrava-se, da discussão de ontem a noite. Foram ditas palavras que lhe arderam os ouvidos de tanta acidez.&lt;br /&gt;Pouco antes das cinco horas, já fazia sol e o vento entrava pela pequena janela, mesmo sem permissão, ilustrava os móveis empoeirados do quarto-sala e a penumbra se desfazia, aos poucos, com os fleches de luz.&lt;br /&gt;Gael se assustou com a impetulância do despertador. Era sábado mas, por conta da noite de ontem, não conseguiu pregar os olhos, além do que, sempre pensou que dormir mais do que cinco horas, por dia ,era perda de tempo. Ainda não sabia do ocorrido com Anita, não se soube ainda como reagiu.&lt;br /&gt;A mulher contemporânea e decidida se chamava Anita. Especialistas consideravam-na pessoa imprevisível, inconstante mas, de coração puro e intenções, consideravelmente, bem vistas. Esguia e branca como leite, Anita era mesmo é geniosa. Rica, fazia parte do clã mais tradicional do estado. Moravam num casarão beira-mar, ela e Clarice, governanta da casa há 40 anos. O local era propício para que Anita forjar-se encontros casuais, onde bebia-se uísque e discutia-se assuntos de ordem social. Era curioso, como a vanguarda dos poetas burgueses misturavam-se aos jovens militantes do povo.&lt;br /&gt;Naquele dia, o dia do fato ocorrido, Anita estava bela. Não bonita como de costume mas, um deslumbre, vestida em vermelho. A poucos dias, havia cortado os cabelos de rapumzéu, um pouco acima dos ombros e, com sombra preta, esfumaçou nas pálpebras, o que lhe escondia do rosto, a face de menina. Estávamos todos na varanda da casa, uns discutiam consumismo, outros comunismo e as tantas da noite, as conversas se confundiam, assim como muitos de nós.&lt;br /&gt;Anita estava exagerada, ainda mais do que de costume. A tantas horas da madrugada, levantei-me para ir ao banheiro, quando encontrei Gael, o amante assumido de Anita. Gael era moreno e tinha mãos fortes. Naquele instante em que chorava, copilosamente, encolhendo-se no canto da sala, não conseguia decifrá-lo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Gael correu para o meio da sala, onde bêbados dormiam e outros exageravam na dose. Por fim, caiu aos pés de Anita que lhe olhava com desgosto nos olhos. O homem soluçava, tentando organizar as idéias:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Anita, fiz o que me pediu. Deixei minha mulher e meus filhos. Case-se comigo, Anita. Estou na merda, um fracassado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Anita, por sua vez, reagiu de forma sucinta, com desprezo e dramatização de uma exagerada nata. Com rugas de espanto na testa e os olhos arregalados, virou-se aos convidados que não prestavam davam muita atenção na cena. Séria, Anita começou: - Bem amigos, como vocês todos sabem, eu venho mantendo uma relação de cuidados com este homem. É verdade que lhe amei querido Gael, desejei tê-lo como meu marido, cheguei a pensar na morte de sua esposa. O fato é que há poucos dias descobri, dentro de mim, uma independência incrível, seria um erro imperdoável botar tudo a perder casando-me contigo, abdicando de minhas manias no tédio de tua cama! por fim, gargalhou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Gael urrava enquanto, atribuía palavras sujas a mulher , ao mesmo passo em que gritava enlouquecido:- Eu te amo, Anita! Eu te amo! Eu te amo! Vá a merda, desgraçada!&lt;br /&gt;Após a última cena de pavor, nós, os convidados, fomos saindo aos poucos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Anita, inconstante como ela, enquanto o circo desarmava-se, caiu em profunda depressão, quase afundou-se nas próprias lágrimas, enquanto a maquiagem escorrida no rosto desfigurava sua beleza. Correu em direção ao mar e afogou-se, forçando um suicídio. Enquanto gritava por Clarice, as ondas lhe esbofeteavam, calavam os suplícios, aos poucos. E Clarice dormia em paz, no aconchego da cama, embalada nos lençóis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6231166479215470286?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6231166479215470286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6231166479215470286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6231166479215470286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6231166479215470286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/10/de-tanta-vergonha-enquanto-esvaziava-o.html' title='De tanto a mar'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-1674897018278811587</id><published>2007-09-18T15:01:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T07:52:28.408-07:00</updated><title type='text'>Aos sonetos de Vinícius de Moraes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Sentia uma admiração indiscutível pela sedução das flores de plástico. As cores vivas, o cheiro do nada empoeirado e a certeza de que nunca morreriam murchas era um esplendor! Em seu caminho, havia se deparado com milhares de sinceros assumidos. No entanto, apenas se deixava envolver com pessoas de sorrisos largos disfarçando a dor e o repúdio pela miséria do mundo dormindo no quintal de suas casas. Acreditava, a mulher, que os mais sinceros eram verdadeiros canalhas. Os cínicos não. Possuíam sabedoria de mestre para viverem por uma vida inteira fugindo de parecer-se com si mesmos. Os mais honestos acabavam sabendo demais sobre o mundo, portanto viviam menos.&lt;br /&gt;Debruçada na janela do quarto, assistia o amor infantil do beija-flor e o roseiral de flores murchas. Ele acariciava as amantes, vagarosamente. Elas rendiam-se ao coração bandoleiro do amado para morrerem de amor, secas como os galhos do roseiral. O pássaro assistia o adormecer das amadas em plena primavera. Logo, voava na busca desesperada por um lírio ou uma papoula.&lt;br /&gt;A melancolia daquela cena lhe doía o peito. Era como se não lhe restasse mais esperança de amor na primavera. Fazia frio e os pensamentos voavam junto ao pássaro, seu corpo parecia anestesiado com a tristeza daquele breve adeus.&lt;br /&gt;Voltou à clausura do quarto hostil, adormecia no vazio da cama, com os braços vagos e desamparados, sem nem o ar poder abraçar. Deixava-se adormecer a voz do poeta preferido recitando o apelo a mulher amada: “De repente, do riso fez-se o pranto silencioso e branco como a bruma. E das bocas unidas fez-se a espuma e das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente, da calma fez-se o vento que dos olhos desfez a última chama e da paixão fez-se o pressentimento e do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente, fez-se de triste o que se fez amante e de sozinho o que se fez contente, fez-se do amigo próximo o distante, fez-se da vida uma aventura errante...”. Enquanto o sol recolhia-se, convidando a companheira lua branda a iluminar casais apaixonados e corações partidos debruçados em janelas frias, lembrou-se de Ulisses. Deitaram-se juntos inúmeras vezes, diversas fizeram amor ao amanhecer, enquanto a lua rendia-se aos encantos do sol. Embolavam-se no lençol e as pernas provocavam um alvoroço, era o balé das pernas insanas se amando debaixo dos lençóis. E suspiravam ofegando de paixão, perdiam-se de amor. Após o sexo, encontraria ali, na pureza do instante passado, o amor recém-nascido, tímido e discreto.&lt;br /&gt;O sentimento era sublime e a fazia pensar que morreria insatisfeita sem aquele homem. Enquanto seus dias se perdiam do amado, ele lhe foi breve. Era o fim! "Sem mais contestações", pensou, a mulher. Naquele instante lhe passou pela cabeça a idéia de jogar-se aos pés do homem implorando que entrelassase os dedos em seus cabelos pela última vez, pensou em fingir-se de louca, tola, de vítima.&lt;br /&gt;A mulher, com o coração sangrando e alma ferida, despedaçou-se de tristeza. Voltou à cama fria e adormeceu. Ela e suas pernas, na calmaria dos lençóis. Do desespero da paixão queimando a pele em brasas a a calmaria do amor discreto, não se sabe o que sobrou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por Tainá Falcão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-1674897018278811587?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/1674897018278811587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=1674897018278811587' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1674897018278811587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1674897018278811587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/09/sentia-uma-admirao-indiscutvel-pela.html' title='Aos sonetos de Vinícius de Moraes'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6788271665511112028</id><published>2007-08-25T11:11:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:58:02.159-07:00</updated><title type='text'>Festa de aniversário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Espalhados pelo salão encontravam-se todos os convidados; engravatados uns e mal vestidos os outro, uma camisa de botão antiga dobrava-se até a altura do cotovelo e os três botões abertos apresentavam a nojeira de cabelos afora da camisa. Todos num esforço desonesto entoando o velho “parabéns para você”, no fingimento de que naquela canção haveria um pouco de desejo de felicidade a pobre anfitriã.&lt;br /&gt;Vitória completava 15 anos no tradicional dia de sol radiante e céu limpo, no cidade de interior Santa Maria. Junto as flores artificiais colorindo o salão e o topete desaforado da mãe, o vestido “bufante” ainda era o mais recomendável para a ocasião. Os convidados transitavam pelo salão com certas peculiaridades. Tia Lucila e seu sorriso de plástico alegavam todas as cirurgias plásticas dos últimos anos. Verônica, uma prima distante, desfilava sob passos apertados e na ponta dos pés, vez ou outra deixaria um brinco ou um acessório de cabelo cair no chão e , com o propósito óbvio de seduzir seu primo Joaquim, remexia-se toda ao ponto dos seios sentirem-se apresentarem-se inquietos, soltos no bustiê vinho. O pai da anfitriã e seu charme Marlon Brandiano, lançavam olhares indiscretos às pernas torneadas de Alice, sua cunhada. Nem jonny walker disfarçaria sua cafajestice.&lt;br /&gt;Chegada à hora do esperado “parabéns”, a menina e seus pais, centralizaram-se no estreito palco no meio do salão. Dentro de alguns instantes a situação tornara-se bizarra aos olhos de Vitória. Pessoas de todos os tipos, velhos e seus cachecóis, crianças e olhares travessos, parentes e seus sorrisos de botox, entoavam à canção sob o julgo de palmas que deixavam a menina desnorteada. Pensava em quão cômico haveria de ser aquela situação. Lembrou-se do vestido de noiva que sua mãe havia lhe dado à honra de guardar para usa-lo em seu próprio casamento.&lt;br /&gt;- Mas que merda. Disse Vitória, quase que para que os outros a escutassem.&lt;br /&gt;Se soubessem que estava grávida seria uma tragédia. Grávida de um rapaz que lhes serviu apenas para desvirginá-la. Nenhum compromisso formal, sentimental, nem se quer lembrava de seu rosto. Lembrava-se que era moreno e calvo mais nada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Meio aquela confusão de palmas ensandecidas e sorrisos plastificados, a menina pensou em desabafar ali mesmo. Parar de vez com aquela palhaçada de bons desejos. Lembrou-se das missas aos domingos e da raiva que sentia por ter sido escolhida como coroinha da igreja. Não acreditava em uma só palavra daquele padre, sabia que boatos corriam que ele próprio era “virado na peste”, um bebum de primeira. Não acreditava no padre e muito menos naquela festa ridícula. Para ela, aquele era um dia comum, um dia como qualquer outro e a idéia de estar mais velha, grávida e coroinha da igreja a assustava. Não poderia mais portar-se como uma menina de 10 anos que corria para cama dos pais quando sentia medo do escuro. Agora era vistosa e seus quadris já apresentavam a idade que tinha - talvez fosse à gestação.&lt;br /&gt;Fim da música e alguém inicia a cantiga religiosa onde se diz “a Vitória será abençoada porque o senhor vai derramar o seu amor” e todos erguiam as mãos em volta da menina que se parecia sufocada a ponto de revirar os olhos e suar frio. Que vontade lhe deu de berrar aos quatro cantos do salão: “Estou grávida, portanto calem essas bocas estúpidas! ”&lt;br /&gt;Sabia que se descobrissem da gravidez antecipada, não seria mais abençoada, nem por Deus nem por ninguém. Sabia bem, que isto seria um pecado abominável aos olhos de todos e uma vergonha que seu pai levaria ao túmulo. Enquanto a música estendia-se, Vitória entoou um choro descontrolado junto a berros que lhe doíam os próprios ouvidos. Soluçava, gritava, chorava num processo contínuo e a família parecia estática diante daquela cena. Enquanto seu rosto de boneca tornava-se a desfigurar com a maquiagem escorrida, os poucos parentes que restavam no salão procuravam uma forma de sair daquele constrangimento.&lt;br /&gt;Foram retirando-se um a um, até que os berros da menina mandassem embora cada topete metido a besta. Foi levada ao quarto pelos braços de seu pai - o homem não escondia a felicidade que sentia com o término apressado da festa - que lhe disse baixo no ouvido: Em breve, vai precisar de um médico.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6788271665511112028?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6788271665511112028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6788271665511112028' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6788271665511112028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6788271665511112028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/08/festa-de-aniversrio.html' title='Festa de aniversário'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-4275461286547655381</id><published>2007-08-01T13:56:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T15:08:37.710-07:00</updated><title type='text'>Surto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De seus cabelos bem arrumados num coque japonês a maquiagem leve que lhe dava um ar juvenil, não se poderia questionar o bastante para saber se eram verdadeiras suas palavras ou se as frases surpreendentes lhe saiam de atos forçados, meticulosamente ensaiados, como nos filmes.&lt;br /&gt;Uma vida medíocre, a qual empurrava com a barriga. Não havia exata certeza das coisas que queria mas, se a perguntasse, uma vez que fosse , o que lhe causava desgosto, lhe diria em alto e bom tom, com o coração sincero que tinha.&lt;br /&gt;De seus pais lhe restaram muitos resquícios, destes marcantes, que se percebe a olho nu. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não escondia o gosto pelas pessoas tristes e sinceramente antipáticas. Cansava-se rápido de festas e velhos amigos. Eram estas festas, visivelmente, desinteressantes. Centenas, milhares de pessoas, falsamente alegres cobertas por vestes modernas e insensatas, o que lhes davam um ar soberbo, um pouco mais de caridade a vida cretina que, certamente, levavam.&lt;br /&gt;Fingindo-se, muitas vezes, de surda diante das conversas maçantes, goleava o uísque e se imaginava, com certo pavor, desnuda em seu velório,coberta por flores e um cheiro doce empestando o local. Imaginava, não sabia o porque, uma morte simples e elegante. Seria num dia que não acordasse de sua cesta diária e reencontrasse milhares de sorrisos plastificados chorando sem razão. A todo momento perguntava a si mesma se o choro dos amigos seria pela sua morte. Sabe-se bem do sentimento de perda inevitável que é causado com a partida de alguém mas, tornava-se a repetir que aquilo era bastante d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;esprezível,realmente, digno de pena, uma vez que é passageiro. Seria o choro,então,  jorrado pelo tempo de vida? Sinceramente passava pela sua cabeça ser aquela tristeza continua um vasto sentimento de culpa pelos milhares de cartões de natais não enviados. Voltava a pensar na sua própria inutilidade perante a vida, perante a mediocridade das pessoas.&lt;br /&gt;Era tão curto seu tempo. Pensava, inutilmente, nos compromissos que marcara para amanhã. Pensava que não lhe havia sobrado um escasso minuto para entregar-se ao mar, para deleitar-se junto ao marido, como quando antigamente. Indagou-se, varias vezes, sobre como era irresponsável por isso,  não sabia administrar as horas e quando se dava conta estava cansada, deitada ao lado daquele homem que a chamava de minha mulher, um marido que perdia cada dia o significado amoroso e terno da palavra. O marido que se tornava, mais e mais, apenas um marido e uma aliança esquecida em seus dedos magros. Então,  pensava , sem rancor, que com o tempo todo amor se tornava uma farsa.&lt;br /&gt;Quando se olhava de perto no reflexo do espelho, lembrava-se de seu rosto quando jovem. Agora, um rosto pálido, esquálido e sofrido de mil amores. Amores que lhe serviam para consolo no fim do dia, serviam para um desabafo infantil ou o êxtase das ridículas discussões amorosas, aquelas que sempre lhe davam um embrulho no estômago. Tantos amores e nenhuma vontade de amar. Não negaria que lhe foram vários no entanto,  inúteis e descabidos. Amores que hoje, não lhe fazem falta,quando se deita escassa na grama do jardim e se lembra, com nem tanta ternura, dos amigos e seus sorrisos de plástico, dos tempos em que sonhava com o marido e a casa de campo que nunca existiu. Lembrava-se da vida que jamais ansiou ter, mas que por ironia do destino acabara sendo sua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Sua! - Repetia baixo com certa preocupação. Jamais pensou estar tão aprisionada há algo como agora. Jamais ouvira alguém dizer que era seu amor, sua casa, seu amigo, sua vida. Um pronome tão banal que lhe cabia num instante e lhe descabia logo depois. Sentiu-se grata por um minuto, para depois cair em lágrimas e indagando-se que agora, beirando os trinta, ainda questionava-se muito sobre a morte. E  lhe vinha na mente uma pergunta insensata que lhe indignava e lhe dizia com nenhum rancor que aquela vida não a pertencia. Sabia bem que desde o momento de seu nascimento esteve aprisionada a mãos de pessoas diferentes, mãos castradores que lhe podavam as alegrias bestas. Lembrou-se que não haveria o que contestar. Bem, sabia ela do tamanho e sua beleza mas, era inevitável que seu marido não caísse nos braços de outras. Sabia que por mais bonita que fosse sua graça perdia-se quando sorria ao mundo aquele  sorriso fraco. O sorriso era sincero, um sorriso que dizia ao mundo ; não pertenço a este lugar. Não conseguia fingir-se de contente e achava tudo tão patético ao ponto de parecer, ela própria, uma tola.&lt;br /&gt;Enquanto as lágrimas escorriam, em erupção com o sol do meio dia, ela não se movia por nada neste mundo. Permaneceu estática e filosófica. Pensando naquele domingo calorento que parecia querer lhe queimar o corpo até a morte, a mesma morte que não lhe saia do pensamento. A morte que ela buscava desde já! Sufocava-lhe a vida que levava. Logo o céu tornou-se a esturricar, como que chorasse com o coração da mulher. Misturava-se no céu, o sol e a chuva numa dança a três. Enterrava os dedos na grama molhada até tocarem o solo lameiro. Penetrou-se, profundamente, na grama queimando e esperou em vão ser, completamente, absorvida. Esperou até que suas lágrimas se confundissem com os pingos ríspidos que caiam bruscos lá de cima e assim, pudesse tornar-se parte viva daquele ambiente, em uma nova fase, aquela que renasceria. Esperou, em vão, até tornar-se o sol, a chuva e o céu, todos embalados numa dança a três.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-4275461286547655381?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/4275461286547655381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=4275461286547655381' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4275461286547655381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/4275461286547655381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/08/surto.html' title='Surto'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-5807149005465551564</id><published>2007-07-14T21:59:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:55:35.773-07:00</updated><title type='text'>A espera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Entrou pela porta da frente. Sem muitos porquês tratou de acender todas as luzes da casa; lustres de plástico velho, velas e seus castiçais semi-usados. Os saltos finos das sandálias ameaçavam, com um rangido nervoso, o azulejo gasto da sala de estar. Tornara-se visível o fato de que esperava por um instante inesquecível nas próximas horas. Momentos aqueles que lhe causavam náuseas constantes e uma insuportável sensação de que seu coração sairia pela boca a qualquer instante. O mesmo coração que lhe batia desesperado no peito, como que para explicar o esplendor da ocasião.&lt;br /&gt;O jantar estava era para dois. Junto ao ar de romantismo ultrapassado e forjado no ambiente, o silêncio inconveniente da espera. Pétalas de rosas vermelhas insinuavam a intenção do vinho chileno e a voz adorável de Marvin Gaye. Apreensiva, ela se olhava no espelho três ou quatro vezes para checar o caimento do vestido sob seu corpo lânguido. Era a segunda vez que se empestava de um perfume francês – um cheiro doce que lhe daria o cheiro antigo da avó - na tentativa ingênua de enfeitiçar o homem amado pelas narinas. Uma ousadia profunda, no entanto infantil. Bem sabia ela, que seu cheiro natural lembrava as crianças perfumadas e bem vestidas das missas aos domingos, um odor angelical que não lhe permitia desenrolar-se daquele ninho de lembranças dos tempos de menina. Detestava pensar em si mesma como uma criança de tranças embutidas e sapatos de verniz engraxados.&lt;br /&gt;Os cabelos escovados lhe caiam nos ombros esquálidos. O hálito cheirava a gengibre e havia uma mancha azul no vestido branco pérola. Antes de aborrecer-se, pensou: - “Deve chegar logo, não acho que vá demorar”. O vestido lilás acentuara melhor com o verde cor de garrafa dos olhos.&lt;br /&gt;Voltava a sapatear pelos cômodos. Um andar lento e, ao mesmo tempo, desesperado. Um ato medíocre. Ridícula tentativa de tornar-se visível ao silêncio. Tentava, absurdamente, mostrar a si própria que estava viva. Viva e apreensiva – era a primeira vez que admitia sua angustia sob a espera. Olha-se no espelho e aparenta estar despida. Frente a si mesma, enxerga apenas a vivacidade de seu olhar perdendo-se sob um pensamento voraz que lhe propõe que ele poderia estar jogado aos braços de uma, duas ou três amantes. Seria menos doloroso acreditar que o rapaz se esqueceu que hoje faria seis meses, desde seu primeiro encontro. Talvez fossem insinuações de sua mente sagaz ou, na verdade, fosse tudo verdade, de fato.&lt;br /&gt;Agoniou-se ao ponto de lavar a nuca e os punhos com água fria. Sentia uma vertigem ameaçadora e um coração pálido e anestesiado pela dor adiantada da perda. Foram minutos persistentes e incansáveis. Sonolenta, acomodou-se como um feto órfão na poltrona dura e desconfortável. O vestido tornara-se amarrotado e não se ouvia mais de seu peito, gritos de desespero. Ouve-se um barulho discreto no hall do elevador. É quando ele, o homem que lhe trará em mãos a sua felicidade, surge de forma sublime, carregando consigo um rosto cansado.&lt;br /&gt;Ela cheia de amor, transbordava em sorrisos. Ele, até mesmo exausto, amaria aquela mulher por inteira, desde seu cheiro de criança sagaz a seu vestido lilás, amarrotado sob um corpo desmilinguido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-5807149005465551564?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/5807149005465551564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=5807149005465551564' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5807149005465551564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/5807149005465551564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/07/espera.html' title='A espera'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-7019251037937660801</id><published>2007-07-01T11:27:00.000-07:00</published><updated>2008-04-10T07:17:54.371-07:00</updated><title type='text'>Encontros descartáveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Certa vez ouvi alguém dizer que para deitar-se junto a alguém, deleitar-se no sono do outro, seria preciso muita cumplicidade, carinho mesmo.&lt;br /&gt;Hoje quando peguei o vôo dormente de volta à cidade céu, sentou-se ao meu lado um senhor sem muito “Quê”. Não diria que me impressionou o bastante para dizê-lo interessante, pois, nem ao menos, lembro-me de seu nome.&lt;br /&gt;Seus cabelos brancos não lhe negavam a idade. Com muito esforço me pareceu um jovem de espírito. Curiosamente, seus olhos azuis vasculhavam o livro que carregava em minhas mãos com a deficiente intenção de devorá-lo.&lt;br /&gt;Sob uma tentativa de iniciar um diálogo permanente e enfadonho, perguntou-me se era nativa de Brasília.&lt;br /&gt;Escapuliu-me um pensamento inconformado e contestador: - Brasiliense? . Não me refiro com desprezo aos candangos de Brasília, porém, aquela pergunta me despertou um sentimento de vasta solidão, a perda de minhas raízes. Como se em mim não existisse mais o cheiro do mar.&lt;br /&gt;A melancolia que eu carregava no olhar, sob o julgo de um coração saudoso e entristecido pela partida, poderia me garantir um ar da capital. Todavia, indignei-me com tamanha audácia. A meu ver, os nordestinos carregam estampados no rosto, as raízes fugazes do sol a pino, de um verão constante, além da vivacidade de um olhar puro, sempre, perseverante.&lt;br /&gt;Respondi-lhe com toda certeza – sou alagoana. Desfazendo o mal entendido.&lt;br /&gt;Logo depois me caí num sono leve sob a cadeira desconfortável daquele avião dormente e como o vento roçando as flores em tempo de primavera, mechas assanhadas de meu cabelo deixaram-se cair, vagarosamente, sob os ombros daquele homem.&lt;br /&gt;Quando retornei da penumbra de meus sonhos esquecidos, agora sem me lembrar da estupidez da pergunta daquele ao meu lado. Aquele que agora mostrava-se amavelmente perdido no aconchego de seus sonhos, visivelmente, carregados de paz. Recordei-me,então, da vez que uma cigana ensinava-me a chamar a atenção das pessoas pela força do olhar. Através desta força a cigana me disse que poderia transformar pedra em ouro. Nunca ousei usar desta espécie de Dom para dominar ninguém. Porem, agora me sentia no dever de perturbar o prazeroso aconchego do homem. Não por que guardo rancor, ou por ser orgulhosa. Apenas por estar confusa. Por lembrar de quando me disseram que para dormir com alguém seria necessário o mínimo de cumplicidade.&lt;br /&gt;Até agora, não entendia que espécie de cumplicidade desenvolvera com aquele homem e seus sonhos adoráveis.&lt;br /&gt;É hora do pouso. O senhor acorda e em seu berço de sonolência pede para esperarmos o restante das pessoas despacharem-se da nave. Disse-me que odiava esperar e, por conseqüência, deixou-me a esperar junto a ele, como se fossemos parentes ou amigos.&lt;br /&gt;Já fora da aeronave, tentando apressar-me para fugir de qualquer expressão de amizade andei sob passos curtos e apressados. Ao chegar perto da esteira onde rodavam as malas, lembro-me bem daquele senhor de cabelos brancos perdendo-se entre outros milhares de senhores grisalhos e recordei-me da tristeza em meus olhos ao deixar o mar de minha cidade, do rancor em meu coração por enterrar minhas raízes vivas e da saudade que sentia, agora, pela ida vã daquele senhor que sob um gesto incompreensível, um tanto admirável, deleitou-se junto a mim e diante de sua face amável e seus sonhos adoráveis perdi-me num momento indecifrável de ternura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-7019251037937660801?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/7019251037937660801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=7019251037937660801' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7019251037937660801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7019251037937660801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/07/encontros-descartveis.html' title='Encontros descartáveis'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-7583368947018336325</id><published>2007-06-19T06:02:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:47:28.494-07:00</updated><title type='text'>O prelúdio da morte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cobria-se de um suor queimando que lhe escorria apressado no rosto. Meio ao devaneio de seus últimos instantes perante aos filhos e familiares de pouco parentesco, apenas conseguia pensar na neblina da casa do lago, nas noites ensandecidas com as milhares de amantes, no reflexo do sol no cabelo de Amanda, a filha mais velha, talvez, a única que, verdadeiramente, havia desenvolvido uma relação de cumplicidade com o pai.&lt;br /&gt;Enquanto o suor corrosivo de seu corpo lhe conduzia a morte, lembrava-se de coisas inúteis. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Diante do choro descontrolado da mulher, recordou-se o quão miserável havia sido a vida à dois. Não se lembrava da última vez  que fizeram amor e nem sentia a mínima vontade de atracar-se à esposa em abraço apressado, em um gesto de desespero de quem se encontra sob o julgo de morte.&lt;br /&gt;Era desprezo o que sentia ao ver os parentes e seus olhares moribundos ao redor da cama. Olhares que, naturalmente, antecipavam sua partida. A única que lhe trouxe questionamentos, era a nova esposa do irmão. A mulher desenvolveu facetas de quem não sabia, realmente, como se portar, já que esta era a primeira e, talvez, a última que encontraria seu cunhado. Ele olhava fixo naquela mulher de seios murchos e lembrava-se do enterro de seu bisavô. O velho era um carrasco. Sobretudo barão e, um tanto, mulherengo. Jamais conheceu o filho bastardo, pai do senhor a beira da morte, que havia morrido antes mesmo do velho. No enterro do pai, lembrou-se, enquanto o suor tornava-se irrelevante, o clima de disputa no velório. De um lado do caixão, apresentava-se a família do bastardo. Cumprimentava o barão, já morto, com certa ousadia. Ao contrário, a baronesa e as quatro filhas beatas, lançavam olhares de fuzilamento à família. Lembrou-se o senhor em seu leito de morte, que a época, estava com 14 anos e o constrangimento daquela situação, a qual só viera entender anos mais tarde, incomodava mais que o velho moribundo morto e sua tez pálida, o qual conhecera, naquele mesmo instante, como bisavô. Era estranho chamar de bisavô a uma pessoa que só havia visto uma única vez, sem ao menos abraçar-lhe ou sentar-se ao seu lado para ouvir histórias das donzelas de antigamente.&lt;br /&gt;Voltou-se a concentra-se no choro estridente de sua mulher e naquele ambiente melancólico, o qual sobreviveu seus últimos 2 meses de vida, acompanhado daquela doença terminal. O quartinho apertado foi escolha sua. Era o quarto de sua filha mais velha, a qual desenvolvera um afeto instantâneo, desde o momento em que a viu frágil, saindo do útero rasgado de sua mulher.&lt;br /&gt;A menina havia crescido e se tornado uma mulher robusta de pernas delineadas, como as de uma bailarina. Há alguns anos, havia desenvolvido o vício de fumar em horas impróprias, o que na verdade, parecia desculpa para acabar com as reuniões insuportáveis de família.&lt;br /&gt;Lembrou-se o senhor, de quando sua filha do meio completava 15 anos. Era uma grande festa , repleta de flores e parentes comportados. Uma tristeza- pensou ele- sem nenhum constrangimento. Enquanto sua tia, irmã de sua mãe, contava, aos montes, histórias de sua antiga mocidade, a filha mais velha, no auge de seus 17 anos, arrancou o charuto cubano da boca indecente de seu padrinho e iniciou-se num processo de barrufadas contínuas nas caras assustadas dos convidados. Sua mãe levantou-se envergonhada na tentativa frustrada de puxar a menina pelos braços, foi barrada pela força austéra do marido - o senhor no seu leito de morte- que , anestesiado pelo modo de como sua filha mais nova conduzia o charuto à boca, num gesto não apto de vergonha porém, prazeroso e provocativo, apreciou e ainda degustou do fumo junto à menina.&lt;br /&gt;Abre os olhos, depara-se com o quarto vazio. A penúmbra anuncia sua partida. A visão torna-se distante. Numa tentativa falha de manter-se acordado, os olhos padecem e pedem sossego. Só lhe resta à calmaria da escuridão e o ensandecido choro da viúva que o persegue ainda agora.&lt;br /&gt;Inicia-se em um processo de recapitulação. Recorda-se de quando seu irmão mais novo, aos 12 anos, foi atropelado por uma motocicleta desregulada e bateu a cabeça no meio fio. Lembrou-se que o menino havia perdido a memória e quando acordou relatava-lhe um filme contínuo que passou em sua mente, desde sua infância até as luzes esmagantes do centro cirúrgico, sem saber, apresentava ali, o primeiro anúncio da morte.&lt;br /&gt;Esperava, ociosamente, que o filme de sua vida lhe aparecesse. Enquanto esperava, pensava na dor insuportável que sentiu quando descobriu a doença. A dor na consciência por saber que sua morte estava marcada e que não adiantava tardiá-la com remédios e tratamentos caríssimos, pois, a morte viria e seria breve.&lt;br /&gt;Enquanto pensava no colapso de seu sistema imunológico, também lembrava das indústrias farmacêuticas e dos milhões, bilhões, trilhões que ganhavam com mortes antecipadas como a dele. Pensava nos meninos da África e no anúncio espetacular do jornal da manhã, onda lhe diziam que um homem havia morrido com uma gripe escandalosa, em pleno século XXI, sem dinheiro para custear sua saúde.&lt;br /&gt;- Hipocrisia! - Disse o senhor, numa tentava feroz de rebelião.&lt;br /&gt;Pensando em Little boy, Enola gay... Tinha certeza – caro Freud- “Nunca dominaremos completamente a natureza e, o nosso organismo corporal, ele mesmo parte desta natureza, permanecerá sempre como uma estrutura passageira, com limitada capacidade de realização e adaptação”, balbuciava, atropelando as palavras.&lt;br /&gt;Sentia-se inútil, novamente. Inútil por saber que havia se esforçado para estudar nos melhores colégios, ingressar na universidade de medicina, montar seu escritório, casar e ter uma família, comer todas as estagiárias (quase nunca) e ponto, morrer inutilizado. Recordava-se, vagamente – era difícil concentrar-se – nos milhares de pacientes que morreram assim, de uma morte faminta que comia os minutos de seu tempo. A partir do momento que lhe foi dada a notícia, parecia iniciar uma contagem regressiva para o fim de tudo, por um relógio invisível e persistente, que lhe avisava, pontualmente, quando chegava o fim do dia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mais um dia. Lembrou-se da bela criança de apenas 5 anos que lhe apareceu com um sorriso espontâneo em seu consultório, enquanto seus pais, descabidos de alguma esperança quanto ao câncer da menina lamuriavam no peito do médico. Setia-se inútil, mais uma vez.&lt;br /&gt;Estático observava os quatro filhos encostados na parede. A mulher segurava sua mão, uma mão decrépita que não lhe parecia mais sua. Tentava fixar o olhar em sua filha mais velha. Notou que a menina havia descolorido os cabelos pretos retintos para um loiro cintilante e assim fazia, porque os brancos já começavam a incomodar. Sentiria saudades da ousadia daquela menina.&lt;br /&gt;Havia chegado a hora de partir. Um medo desconcertante e um alívio sem cabimento lhe tomava o peito e a mente. Esperava, agora no ápice de sua ansiedade, o momento certo da morte.&lt;br /&gt;Sua filha mais velha aproximou-se e iniciou uma cantiga sob a voz doce e interrompida por soluços constantes e lágrimas rápidas. O senhor, em seu leito de morte, fazia jus ao choro esganiçado da viúva, ao canto sereno da filha e aos olhares vagos dos outros três herdeiros. Contorceu-se num gesto de Adeus e revirou os olhos que não mais voltaram a contemplar a filha mais velha. Tornaram-se estáticos e opacos, livres do prelúdio da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por Tainá Falcão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-7583368947018336325?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/7583368947018336325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=7583368947018336325' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7583368947018336325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7583368947018336325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/06/o-preldio-da-morte.html' title='O prelúdio da morte'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6198715870762005128</id><published>2007-06-12T15:33:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:27:43.340-07:00</updated><title type='text'>Helena, de recatada a feminista.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Helena, por sua vez, viveu inteiramente recatada sob as ordens do marido. Nas ruas da cidade, apresentava-se, quase sempre, coberta por anáguas e babados delicados.&lt;br /&gt;Casou-se com um verdadeiro beberrão. Ao fim da tarde, quando aparecia em casa, o homem exalava o álcool de seu próprio corpo. Numa mistura de suor ardente e pinga salgada, costumava miar feito gato desolado em busca de colo. A mulher enchia-se de vergonha quando o marido e suas mãos ásperas, cheias de calo, deslizavam-se por dentro de suas pernas acanhadas e ele logo lhe forçava um beijo apressado, como quem devorava uma manga madura.&lt;br /&gt;Helena jurava um dia esmagar-lhe os miolos e livrar-se de uma vez daquela agonia. Não houve porque esperar muito tempo: dito e feito, como premeditou a mulher. O ato foi de tanta meticulosidade que os curiosos da cidade juraram que o marido, mulherengo que era, havia se metido em anáguas alheias e por isso, levou um tiro certeiro no meio da testa de modo que lhe fez o cérebro fugir corrido pelas ventas.&lt;br /&gt;No velório a viúva - não se sabe se por vandalismo ou arrependimento- vestiu-se com as roupas do falecido, deixou os pêlos de todo o corpo crescer e proclamou o hino feminista com as mãos apontadas ao céu. A ousada atitude a fez parecer insana aos olhares das dondocas. Quanto ao resto, tornou-se a única mulher temida como o “Demo” pelos machões do povoado.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6198715870762005128?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6198715870762005128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6198715870762005128' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6198715870762005128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6198715870762005128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/06/helena-por-sua-vez-viveu-inteiramente.html' title='Helena, de recatada a feminista.'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6466431182143852072</id><published>2007-05-31T20:02:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:25:14.325-07:00</updated><title type='text'>O diabo loiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Yuro poderia ter sido o presidente da república. Condecorado e renomado, se não fosse o diabo loiro travestida num corpete vermelho , que lhe sufocavam os seios de agonia, meio a uma confusão no ano de 1989.&lt;br /&gt;Homem maduro e de boas idéias, guerrilha no Uruguai e um currículo com anos de revolução. Meio russo, meio polonês e um pé mulato no Brasil, o jornalista, escritor e boêmio por opção, Yuro Vverh Jacobowitz apaixonou-se por uma loira nariguda, americana da Virginia do sul ( sem falar nos seios fartos agonizando no corpete afogueado) em pleno 9 de novembro de 1989.&lt;br /&gt;Enquanto a confusão da derrubada do muro de Berlim estremecia o chão do mundo, Yuro lançava um olhar carente sob Alexandra Katharina Boher. Dentro de alguns instantes desmoronaria seu muro de amor junto aos vários anos de luta armada.&lt;br /&gt;Casaram-se sem cerimônia (Igreja, padre e sermões não combinariam com um noivo comunista e o busto abundante da moça). Yuro vendeu suas idéias a escritores decadentes, fez fortuna no anonimato e tomado pela embriaguez daquele amor insano baniu-se (o próprio) dos detalhes da história e da literatura ( Nem, condecorado, nem renomado).&lt;br /&gt;Anos casados, Yuro acomodou-se a vida sedentária e pitoresca da vida no campo. Tornou-se comerciante, como o convinha, e exigiu uma penca de filhos da mulher.&lt;br /&gt;Alexandra, por sua vez, trepou quantas vezes necessárias até o quinto filho homem parir.Quando já não lhe havia razão para continuar com aquele cotidiano enfadonho,a esposa ( seu seios inutilizados, apresentavam a barbárie de cinco bocas ávidas) largou os filhos e o marido (barrigudo,velho e impotente) , por Helena uma feminista oprimida de bigodes ralo e ancas largas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6466431182143852072?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6466431182143852072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6466431182143852072' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6466431182143852072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6466431182143852072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/05/yuro-poderia-ter-sido-o-presidente-da.html' title='O diabo loiro'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-6731142939811542945</id><published>2007-05-29T15:23:00.000-07:00</published><updated>2007-05-30T19:13:06.126-07:00</updated><title type='text'>Sobre a nostalgia do amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sopra o vento, as rosas no jardim.&lt;br /&gt;Leva consigo mil suspiros,&lt;br /&gt;Ância da revolução, a vontade de sair do ócio.&lt;br /&gt;Expandir o eco. Além do que se esconde por trás do mar.&lt;br /&gt;Um cheiro de raiz buscando memórias,&lt;br /&gt;São estas miseráveis e esquecidas.&lt;br /&gt;Em vão o desejo de tornar-se imortal.&lt;br /&gt;Amaram-se sem pressa.&lt;br /&gt;No entrelaço das virtudes e saliências&lt;br /&gt;Na audácia dos prazeres inconscientes.&lt;br /&gt;Ela,calou-se com a cidade.&lt;br /&gt;Ele,sem revidar,esperou a última lágrima tocar o peito e perguntou-se:&lt;br /&gt;Era triste?&lt;br /&gt;Jamais,nenhuma contestação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-6731142939811542945?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/6731142939811542945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=6731142939811542945' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6731142939811542945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/6731142939811542945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/05/sobre-nostalgia-do-amor.html' title='Sobre a nostalgia do amor'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-9055093604686087271</id><published>2007-05-28T12:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T07:24:14.056-07:00</updated><title type='text'>Pela tela, pela janela.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As árvores de Brasília me lembram as árvores da China, sem eu nunca ter estado lá.&lt;br /&gt;O céu da capital, quando noite, não anoitece e mais me parece o céu da Inglaterra, um céu que desconheço.&lt;br /&gt;Os prédios de Brasília me encantam por seus formatos alinhados, suas janelas planas e o colorido ainda vivo dos anos 80.&lt;br /&gt;Parece-me um tanto democrático, o empilhamento de suas janelas. Todas abertas a um só ângulo, de frente ao trânsito, abaixo do céu (nem azulinho, nem azulão), de olho nas árvores belas da china.&lt;br /&gt;Sei que, meio a tanto contra-tempo, se passando à vista de nossas varandas, a vontade é de observar tudo do lado de dentro, espichado em uma janela ou sentado em uma poltrona. Ora, mas se vejo tudo do lado de dentro de meu apartamento, começo a pensar que tudo me parece um quadrado. Um céu quadrado, um carro quadrado, um homem enquadrado. Sob a minha visão, vejo o mundo sempre na mesma proporção. Nem mais, nem menos. Assim, meu mundo está sempre pequeno, encaixado em uma janela.&lt;br /&gt;E se eu quiser ir ao lago Paranoá? À alvorada? À ponte JK? Acredito que terei que despencar-me janela abaixo. agora, não daria. estou cheia de preguiça. Pensando bem, vou deixar de lenga-lenga e voltar a outra janela, uma do tipo moderna, uma tela colorida onde vejo o que quero e escuto sem muita atenção sobre uma cidade sem muita identidade ( de céu nem claro nem escuro, árvores da China e janelas planas), um lugar chamado solidão.&lt;br /&gt;Certo dia, me perdi nos espaços vagos desta cidade e deparei-me com prédios de mil andares. Prédios de mármore e janelas que não carregavam um colorido velho de décadas atrás. Eram janelas espelhadas de um vidro vistoso,mas, nem por isso eram belos. Eram várias, tantas que nem me lembro. Janelas de cima abaixo, por todos os lados. Irritei-me veemente com o que via em frente a mim, era uma construção que nunca vi, uma nova invenção com belos azuleijos e uma velha esguichada na varanda.&lt;br /&gt;Logo, perguntei-me: Como pode haver janelas lá no fundo? A quem os moradores olharão? Olharão as janelas alheias? O tédio entre uma casa e outra? Mas, e as árvores da China e o céu inglês? Agora, já me parecem que estão longe, bem distantes de mim. Entre minha janela sempre plana e a velha esguichada na nova construção, vejo que não há tanta diferença. Estamos sempre a procura de um só lado, não importa se do esquerdo, do direito, de frente ou detrás. Tudo me parece enquadrado, um imenso quadrado.&lt;br /&gt;Vou em busca de alguém que me diga, por favor, aonde estão as passeatas e a política, o banho de sol no lago. Quero ver a história ao vivo e a cores, não mais na poltrona de minha sala. Não quero mais ver apenas o céu de Londres ou as árvores da China, quero conhecer gente do Sul, do Rio e do Nordeste, dançar maracatu, comer acarajé e tomar chimarrão. Visitar o presidente, contar como anda a nossa gente e quem sabe, conhecer Ariano Suassuna.&lt;br /&gt;Agora, sei que tudo fora do quadrado é mais bonito e mais vivo. Não volto hoje para casa, sem descobrir as tribos de índios pataxós, sem ouvir Vinícius de Morais. Quero saber se meu Brasil é maior do que as favelas do Rio de Janeiro, a sujeira do Congresso e a seca do Nordeste. Se é maior que a melancolia da velha esguichada no castelo de vidro, a nostalgia de Brasília, do que a nova novela das oito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por Tainá Falcão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-9055093604686087271?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/9055093604686087271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=9055093604686087271' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/9055093604686087271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/9055093604686087271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/05/pela-tela-pela-janela.html' title='Pela tela, pela janela.'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-1096851831840255485</id><published>2007-05-27T11:49:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T06:53:50.472-07:00</updated><title type='text'>Amaralina que nunca foi Cloé.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A vontade era de enxotá-lo rua à fora.&lt;br /&gt;Definitivamente Amaralina não era Cloé.&lt;br /&gt;Assim como tenho certeza de que Eva não era a costela de Adão.&lt;br /&gt;Em um dia cinzento de chuva e trovões, Amaralina sorriu apressada, num golpe terno de amor caiu aos pés de João. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No apartamento frio, encontrava-se Cloé e suas veias pulsando de ódio.&lt;br /&gt;-“Todo canalha é magro!” (já dizia Nelson Rodrigues), gritava a estridente Cloé.&lt;br /&gt;Cloé que não era bela, nem seu hálito cheirava a flores, por ordem do destino entregou sua solidão nas mãos de joão.&lt;br /&gt;João ama Amaralina e dorme com Cloé.&lt;br /&gt;- Teu corpo ofegante, tomado pelo calor sujo daquela vadia! Aquela vaca! –balbuciava Cloé.&lt;br /&gt;A razão de tanto espetáculo é que, certo dia, João, meio a uma febre pecaminosa dos corações adúlteros, passou a dormir com Amaralina e a adorar Cloé.&lt;br /&gt;- Dois anos é mesmo o suficiente. Não o amo mais, ao menos não desejo amá-lo. Lamuriava Cloé. Então, partiu-se.&lt;br /&gt;De todo modo, João percebeu que Amaralina e seu hálito de lírios é quem ficara. Agora que também se deitava com a mulher, pensava (sem muito rancor) : Definitivamente, Amaralina não era Cloé.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-1096851831840255485?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/1096851831840255485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=1096851831840255485' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1096851831840255485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/1096851831840255485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/05/verdade-sobre-os-amores-inconstantes.html' title='Amaralina que nunca foi Cloé.'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-550283699451449266.post-7398488848894447020</id><published>2007-05-26T14:24:00.001-07:00</published><updated>2008-06-24T06:44:53.992-07:00</updated><title type='text'>Introduzindo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A delicadeza de como se deve entregar-se à escrita, é o que levo em consideração. As palavras saem desesperadas, umas por cima das outras, em um atropelamento de sílabas pavoroso. O embolado de letras torna-se um balé jamais ensaiado. Meus pensamentos voam sob um universo onde tudo é permitido. Não me prendo a patéticos versos decorados, pois, detesto a mesmice dos atos sincronizados. Quero que o que escrevo seja transparente a mim mesma e que não precise subjulgar-me ao conservadorismo de linhas pomposas e hipocrisias gritantes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No que escrevo, necessito apenas da honestidade. Na sinceridade escancarada, encontro o refúgio para todos os anseios. Que as angustias diárias do ser humano, seja este medíocre ou sonhador, faça parte do enredo de meus contos. Que parte do sofrimento da autora, possa ser refletido em uma feminista frustrada ou uma sensível descabida. Em um amante da boemia, um nordestino cheio de coragem, uma bailarina sem prestígio, uma atriz sem público. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A maneira como se escreve, não é ato de discussão e formalidades. Não pretendo que toda minha loucura seja compreendida. É preciso que se leia de cima à baixo, de um lado ao outro, da frente ao verso, para que se entenda que meus conflitos descritos jamais serão entendidos da maneira como desejo. O primeiro sentimento que transborda quando se deseja berrar ao mundo uma dor sufocante ou uma alegria delirante dentro de si. É intocável. É o estado das coisas como realmente são. Assim, prefiro que o aqui escrevo seja feito a revelia e a meu gosto, que não agrade a este ou aquele,que seja lixo ou poesia aos olhos de quem lê.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;por Tainá Falcão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/550283699451449266-7398488848894447020?l=marialindamaria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marialindamaria.blogspot.com/feeds/7398488848894447020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=550283699451449266&amp;postID=7398488848894447020' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7398488848894447020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/550283699451449266/posts/default/7398488848894447020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marialindamaria.blogspot.com/2007/05/introduzindo.html' title='Introduzindo'/><author><name>Tainá Falcão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02421292937515328536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Z3iaBgVeegk/SUq9E4WRqKI/AAAAAAAAABo/7obELA7kzao/S220/hugo+1051.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
